🕐 ESTA REPORTAGEM FOI PUBLICADA EM Outubro de 2022. INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE TEXTO PODEM ESTAR DESATUALIZADAS OU TEREM MUDADO.

É falso que traficantes invadiram seções eleitorais na Rocinha e no Turano para obrigar votos em Lula

Por Marco Faustino

14 de outubro de 2022, 18h55

Não há evidência que ampare a denúncia feita em áudio que circula em publicações nas redes sociais de que traficantes estavam presentes em seções eleitorais da Rocinha e do Turano, no Rio de Janeiro, para coagir moradores a votar no candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. O TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) informou que não houve qualquer incidente semelhante ao relatado no áudio.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 78 mil compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (14).


Selo falso

Aqui na Rocinha tem mais de cem zonas eleitorais, parceiro. Cada uma tem um traficante olhando morador por morador e mandando votar no 13. Quem não votar no treze morre. Procurei saber, falei: ‘O que é isso? Na Rocinha está assim, cara? No Turano… não é só no Turano, não, parceiro, é todas as favelas do Rio de Janeiro

Posts difundem áudio enganoso que afirma que traficantes armados vigiaram seções eleitorais de comunidades do RJ e obrigaram moradores a votar em Lula

Em áudio difundido por publicações nas redes, um homem não identificado por Aos Fatos diz que traficantes armados coagiram todos os eleitores a votar em Lula em seções eleitorais nas favelas da Rocinha e do Turano, no Rio de Janeiro, no dia do primeiro turno, 2 de outubro. O TRE-RJ, no entanto, negou ao Aos Fatos que a situação narrada no áudio tenha acontecido.

“A 211ª Zona Eleitoral, responsável pelos locais de votação na Rocinha, informa que não houve qualquer situação fora da normalidade nas seções eleitorais que funcionam dentro da comunidade. Com relação ao Morro do Turano, a 229ª Zona Eleitoral, que abrange a região, também afirmou que não houve nenhuma ocorrência nesse sentido”, afirmou o tribunal.

A alegação enganosa também é desmentida por um levantamento feito pelo jornal O Globo, que mostra Lula com maior número de votos em oito das 15 comunidades fluminenses analisadas. O maior percentual obtido pelo petista foi na Rocinha: 65,7% dos votos contra 28,2% de Bolsonaro. O segundo maior percentual foi no Vidigal, onde Lula obteve 63,9% dos votos.

Bolsonaro venceu nas favelas Urucânia, Conjunto Manguariba, Cesarão, Vila Kennedy, Cidade Alta (Cordovil) e Conjunto Dom Bosco (Nova Iguaçu). Além dessas, o presidente venceu na comunidade Três Pontes, que abriga uma das maiores milícias do estado, como aponta a reportagem, e onde obteve o maior percentual de votos registrado pelo levantamento: 58,3% contra 35,3% de Lula.

Também é enganosa a afirmação feita no áudio de que a Rocinha possui mais de cem seções eleitorais. Na realidade, segundo o TRE-RJ apenas um local de votação funciona dentro da comunidade, com cinco seções eleitorais: a Escola Municipal Luiz Paulo Horta. Os demais locais de votação estão no bairro de São Conrado, próximos à Rocinha.

Vídeo. As peças checadas difundem uma filmagem em que uma mulher com uma camiseta de apoio a Lula aparece junto a um eleitor em uma cabine de votação. O registro acompanha uma legenda que afirma se tratar de uma situação de compra de votos, o que não pôde ser verificado pelo TRE-RJ nem pelo Aos Fatos, que não conseguiram localizar a origem nem o contexto do vídeo, que circula também isolado e atribuído a outras cidades brasileiras.

Uma resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) prevê que eleitores com deficiência ou com mobilidade reduzida podem ser auxiliados por pessoas de sua escolha, ainda que não tenham requerido antecipadamente à juíza ou ao juiz eleitoral. A autorização é dada pelo presidente da mesa receptora de votos de cada seção eleitoral. Quem auxiliar uma pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida deve se identificar na mesa receptora e não pode estar a serviço da Justiça Eleitoral, de partido político ou de federação de partidos.

Referências:

1. O Globo
2. Google Maps
3. TSE

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