Mulher que orientou golpistas a saírem de acampamento após atos de 8/1 não é Sofia Manzano

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Não é Sofia Manzano, professora e ex-candidata à Presidência da República pelo PCB, a mulher que aparece em vídeo que circula nas redes orientando manifestantes golpistas a entrarem em ônibus disponibilizados pela polícia e abandonarem um acampamento em Brasília no dia 9 de janeiro. Diferenças na fisionomia e na voz das duas mulheres atestam que não se trata de Manzano. A ex-candidata também desmentiu as publicações em suas redes e disse que, no dia da desocupação do acampamento, estava em sua casa, localizada no interior da Bahia.

Publicações com a falsa atribuição têm circulado principalmente no TikTok e no Kwai, redes em que acumulam milhares de visualizações. A peça de desinformação também circula no WhatsApp, plataforma em que não é possível estimar o alcance (fale com a Fátima).


Selo falso

Sofia Manzano, ela é uma petralha, pra que ela estava pedindo para entrarem nos ônibus?

Posts mentem ao dizer que mulher que orientou golpistas a deixarem o QG em Brasília é Sofia Manzano

Publicações nas redes enganam ao afirmar que uma mulher que aparece em vídeo gravado no dia 9 de janeiro pedindo que manifestantes acampados diante do Quartel-General do Exército em Brasília abandonem o local seria a ex-candidata à presidência Sofia Manzano (PCB). Ao fazer essa falsa associação, os posts buscam retomar a tese infundada de que haveria infiltrados de esquerda nos atos golpistas de 8 de janeiro. Ainda que o Aos Fatos não tenha conseguido identificar a mulher que aparece no vídeo, diferenças na fisionomia e na voz atestam que ela não é Sofia Manzano.

Publicadas originalmente no dia 9 de janeiro, as imagens mostram golpistas orientando outros manifestantes instalados diante do QG de Brasília a desocuparem o local. Por meio de busca reversa, o Aos Fatos encontrou uma versão mais nítida e estendida do vídeo, publicado no Twitter no dia 14 de janeiro.

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Nas imagens, é possível ver que a mulher que organiza a saída dos golpistas possui uma testa menor e mais angulada e um nariz mais reto do que o de Manzano. A manifestante também possui o rosto mais alongado do que o da ex-candidata (veja comparação abaixo).

Frames do vídeo são colocados ao lado de imagens de Manzano para mostrar que rosto de mulher no acampamento é diferente da ex-candidata
Comparação. Imagens mostram diferenças físicas entre mulher que aparece no vídeo gravado no acampamento golpista (à esquerda) e Sofia Manzano (à direita) (Reprodução/Jovem Pan)

A voz da mulher que aparece no vídeo também é diferente da de Manzano. A disparidade mais significativa é na pronúncia da letra “R”: a manifestante golpista prolonga mais o som da letra do que a ex-candidata (ouça a comparação abaixo).

ÁUDIO SOFIA MANZANO

ÁUDIO GOLPISTA

Algumas versões da peça de desinformação dizem ainda que Manzano seria assessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Portal da Transparência do governo federal, no entanto, mostra que ela não tem qualquer relação com a gestão atual.

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Em post publicado no Twitter na última terça (16), Manzano classificou as alegações como falsas e disse que irá tomar providências legais contra as peças de desinformação. Em contato com o Aos Fatos, ela disse que sequer estava em Brasília no dia 9 de janeiro, quando o acampamento foi desocupado.

Desde os atos golpistas do 8 de janeiro, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) têm usado diversos argumentos e conteúdos enganosos para defender a tese de que o vandalismo teria sido obra de “infiltrados” de esquerda. Não há, no entanto, qualquer indicativo de que isso seja verdade.

DESOCUPAÇÃO

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou, no dia 9 de janeiro, que todos os acampamentos golpistas instalados nas imediações do QG de Brasília e de outras unidades militares fossem desocupados. O magistrado ordenou que o desmantelamento deveria ser feito pela PM-DF (Polícia Militar do Distrito Federal) com o apoio da Força Nacional e da PF (Polícia Federal).

Na manhã daquela segunda-feira, há registros de que policiais militares informaram que os golpistas tinham prazo de uma hora para deixar o local. Em um vídeo divulgado pelo Metrópoles, é possível ouvir um agente pedindo que as pessoas entrem nos ônibus disponibilizados e abandonem o local pacificamente. A orientação é muito similar à que é dada pela mulher que aparece na peça de desinformação.

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