Não é verdade que policial matou a tiros autor de ataque ao STF

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É falso que Francisco Wanderley Luiz, autor do ataque ao STF (Supremo Tribunal Federal) ocorrido na última quarta-feira (13), foi morto a tiros por um policial que o abordou na praça dos Três Poderes. Relatos dos agentes de segurança e imagens das câmeras atestam que o homem morreu após acionar um explosivo preso ao seu corpo.

A teoria conspiratória que nega o atentado a bomba acumulava ao menos 3.000 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (19).

O rapaz foi até a estátua e soltou um rojão. Os seguranças o mataram com um tiro e ele caiu no chão com um rojão aceso que ele segurava e explodiu. Não existe homem bomba! Ele estava fazendo um protesto e foi assassinado!!!

Vídeo de câmera de segurança mostra atentado a bomba no STF e é acompanhado de legenda enganosa no Facebook

Publicações têm compartilhado mensagens enganosas que afirmam que “não existe homem-bomba” e que o autor do ataque ao STF teria sido morto pelos policiais. A teoria conspiratória sugere que o chaveiro Francisco Wanderley Luiz estaria apenas protestando com fogos de artifício em frente à estátua da Justiça quando foi executado pelas autoridades.

Essa argumentação, no entanto, ignora inúmeros fatos sobre o caso:

  • Em relato à Polícia Civil do Distrito Federal, um segurança do STF disse que o homem tinha artefatos com relógios digitais em seu corpo e que acendeu um deles quando a autoridade policial tentou se aproximar. Ele, então, se deitou no chão e colocou o explosivo na nuca;
  • Antes disso, Francisco incendiou o próprio carro em um estacionamento entre o STF e o anexo 4 da Câmara dos Deputados;
  • A PF divulgou que o homem lançou dispositivos conhecidos como pipe bombs — e não rojões, como afirmado pelas peças de desinformação. Os objetos continham pólvora e elementos como parafusos e porcas, para ampliar os danos da explosão;
  • A PM-DF informou ter desativado oito artefatos explosivos na praça dos Três Poderes. Um deles teve que ser detonado;
  • Também foram encontradas duas bombas na casa de Francisco, em Ceilândia (DF). Uma delas tinha sido instalada para matar os policiais que entrassem na residência;
  • Em mensagem encontrada no espelho do banheiro de sua casa, Francisco fazia referência ao 8 de Janeiro e dizia que em “estátua de merda se usa TNT”;
  • Sua ex-mulher, Daiane Dias, afirmou em depoimento à PF que Francisco queria matar o ministro Alexandre de Moraes. Posteriormente, ela disse ter participado do planejamento do atentado.

As próprias imagens que acompanham a mensagem desinformativa desmentem a alegação: nelas, não há nenhum indício de que houve um disparo contra Francisco. Além disso, é possível ver o chaveiro acendendo o artefato explosivo e se deitando sobre ele.

Essa tentativa de negar a existência do atentado se soma a diversos outros argumentos enganosos que circulam nas redes para desvencilhar Francisco do bolsonarismo. Como Aos Fatos mostrou, há diversas provas de que o chaveiro tinha perfil conservador: ele participou de acampamentos contrários à eleição de Lula em 2022 e deixou mensagens instigando ações golpistas.

O caminho da apuração

Aos Fatos analisou as imagens das câmeras de segurança do STF e também os relatos dos agentes que testemunharam o caso.

Também consultamos reportagens e notas divulgadas pelas polícias para reunir indícios de que houve, de fato, uma tentativa de atentado a bomba, e não um “protesto com rojões”, como afirmam as peças enganosas.

Referências

  1. g1 (1, 2 e 3)
  2. UOL (1 e 2)
  3. Folha de S.Paulo
  4. O Globo (1 e 2)
  5. Aos Fatos

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