Não é verdade que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, apoiou publicamente o Irã no confronto contra os Estados Unidos e afirmou que viajará este mês ao país persa para “abrir o estreito de Ormuz aos navios italianos”. Não há registros da declaração em canais oficiais, nas redes da política ou na imprensa internacional.
Publicações com o conteúdo falso acumulavam 2.000 compartilhamentos no Facebook e 500 curtidas no Instagram até a tarde desta segunda-feira (13). As peças também circulam no WhatsApp, plataforma em que não é possível estimar o alcance dos conteúdos.
A bela primeira-ministra italiana Giorgia Meloni deve visitar o Irã. Meloni: "A paciência do povo italiano esgotou-se. (...) Viajarei ao Irão este mês para abrir o Estreito de Ormuz aos navios italianos, e iremos apoiá-los totalmente porque eles têm razão e ninguém o esconde".

Publicações nas redes mentem ao afirmar que Giorgia Meloni anunciou que visitará o Irã para resolver a crise de petróleo gerada pelo conflito no Oriente Médio. As peças enganosas alegam ainda que a italiana teria declarado apoio total ao país persa contra os EUA e afirmado que “a América só quer saquear e roubar”.
Não há registros de declaração similar em canais do governo italiano, nas redes sociais da primeira-ministra, na imprensa internacional ou no site do governo americano.
É fato, porém, que os dois líderes não estão alinhados no que se refere ao conflito no Oriente Médio. A premiê italiana já declarou publicamente que o país não se envolverá militarmente na guerra e tem demonstrado inquietação com o avanço da instabilidade na região.
Em pronunciamentos recentes, ela classificou a escalada bélica como parte de uma "tendência perigosa" para a ordem global. No campo diplomático, a prioridade de Meloni tem sido percorrer países do Golfo em busca de mediação e garantias de estabilidade energética.
Nesta segunda-feira (13), a política italiana também fez críticas ao presidente americano, que atacou o papa Leão 14. No fim de semana, Trump afirmou nas redes que o pontífice era “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. Horas antes, Leão 14 havia pedido um cessar-fogo no Oriente Médio, sem fazer referência específica aos EUA.
Meloni afirmou que as críticas de Trump eram “inaceitáveis”. “O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra", disse a primeira-ministra em um comunicado.
Esta peça também foi desmentida pelo Boatos.org.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou declarações similares à compartilhada pelas publicações enganosas nos canais dos governos da Itália e dos Estados Unidos e nas redes de Trump e Meloni, bem como na imprensa internacional, mas não encontrou resultados.
Também consultamos reportagens recentes sobre o estado atual das relações diplomáticas entre EUA e Itália.





