É falso que médicos recomendaram chá de erva-doce e fígado de boi contra nova gripe

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Não é verdade que médicos do Hospital das Clínicas de São Paulo e do Hospital São Domingos, no Maranhão, recomendaram chá de erva-doce, fígado de boi, vitamina C e sucos contra uma “nova gripe”, como afirmam publicações nas redes sociais. Os hospitais negaram que emitiram essas orientações, que por sua vez não possuem comprovação científica contra gripes e resfriados.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam centenas de compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (1°) e circulam também WhatsApp, plataforma na qual não é possível estimar o alcance (fale com a Fátima).


Selo falso

Diretor do HC (Hospital das Clínicas) preocupado com a nova gripe, faz as seguintes recomendações: (...) tomar vitamina C; comer fígado de boi; ingerir sucos de acerola e laranja; tomar chá de erva-doce duas vezes ao dia. (...) Um infectologista do hospital São Domingos, recomenda tomar de 12 em 12 horas o chá de erva doce, pois ele mata o vírus da influenza..

Posts enganam que médicos do Hospital das Clínicas e do Hospital São Domingos recomendaram chá de erva-doce e fígado de boi contra “nova gripe”.

Publicações nas redes sociais enganam ao afirmar que médicos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, e do Hospital São Domingos, no Maranhão, recomendaram chá de erva-doce, fígado de boi, vitamina C e sucos contra uma “nova gripe”. Em nota, tanto o HC quanto o São Domingos negaram que o corpo clínico dos hospitais fizeram essas recomendações. Além disso, não há evidências científicas de que os itens citados atuem contra gripes e resfriados.

Os benefícios da vitamina C, substância presente na acerola e na laranja, têm sido estudados há anos. Uma revisão de literatura feita pela Cochrane em 2013 concluiu que, embora a substância não ajude a evitar resfriados, há indícios de que possa reduzir a duração da doença.

Tampouco há evidências de que o fígado de boi e a erva-doce tenham propriedades antivirais, o que já foi desmentido, inclusive, pelo Ministério da Saúde, pelo CRF (Conselho Regional de Farmácia) de São Paulo e pelo CIM-MT (Centro de Informações sobre Medicamentos do Estado de Mato Grosso).

Segundo o CIM-MT, a confusão acontece porque a erva-doce tem constituinte básico o óleo de anis que tem leves propriedades carminativas e expectorante, além de ser utilizado como antiespasmódico, mas sem efeito antiviral. O uso indiscriminado da erva-doce também resulta em danos contra a saúde e pode ocasionar, por exemplo, dermatites.

Tamiflu. As peças de desinformação também alegam que o antiviral Tamiflu é feito a partir da erva-doce, o que é falso. De acordo com a bula do medicamento disponível no site da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não há erva-doce na fórmula do Tamiflu, que é composto apenas pela substância fosfato de oseltamivir.

O óleo de anis tem como precursor o ácido chiquimico, substância utilizada na fabricação do fármaco oseltamivir. Porém, o processo envolve reações químicas complexas — não basta fazer uma infusão com água quente — o que também descarta qualquer possibilidade do óleo e do próprio ácido possuírem efeito antiviral.

Por outro lado, há dicas nas peças checadas que são verdadeiras e respaldadas por especialistas: lavar as mãos e usar álcool gel podem ajudar a evitar que a doença se espalhe, segundo o Ministério da Saúde, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) e a OMS (Organização Mundial da Saúde). Evitar lugares onde haja multidões, principalmente no inverno, também pode ajudar a reduzir o risco de entrar em contato com alguém gripado.

Recorrente. Peças de desinformação semelhantes circulam ao menos desde 2018 associadas ao vírus H1N1, de origem suína. Em 2020, uma nova versão passou a circular com a recomendação das mesmas substâncias contra a Covid-19, o que é igualmente falso.

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