É falso que Mauro Cid afirmou em delação que Bolsonaro não daria golpe

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É falso que o tenente-coronel Mauro Cid afirmou em depoimento ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não tinha intenção de dar um golpe de Estado. As peças desinformativas tiram de contexto a fala do ex-ajudante de ordens que, na realidade, havia sido questionado se acreditava na possibilidade de sucesso do plano golpista.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam cerca de 200 mil curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (26).

Moraes tem reação impagável ao ouvir Cid dizer que Bolsonaro não daria golpe

Captura de tela de uma videoconferência com três telas. À esquerda, o tenente-coronel Mauro Cid, um homem branco de cabelos castanho claro, aparece sentado vestindo um terno escuro e camisa clara, falando ao microfone em um ambiente de depoimento. No centro, há uma imagem digitalizada da estátua da Justiça, com o prédio do Supremo Tribunal Federal ao fundo. À direita, o ministro Alexandre de Moraes aparece sério, vestindo terno e gravata, com um quadro laranja ao fundo. Na parte superior da imagem, há um texto em letras grandes onde lê-se:

Publicações enganam ao alegar que Mauro Cid afirmou em delação que Bolsonaro não tinha a intenção de dar um golpe de Estado. O trecho que circula nas redes omite o contexto completo da declaração, distorcendo seu significado.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o golpe ser bem-sucedido, Cid relatou a Moraes que Bolsonaro “ainda mantinha a chama acesa que pudesse acontecer alguma coisa”. Perguntado em seguida se ele próprio acreditava na viabilidade da trama golpista, respondeu que não.

Ele justificou sua posição alegando que a ausência de provas de fraude nas urnas e a falta de adesão dos militares inviabilizavam o plano, e que por isso Bolsonaro não teria condições de dar cabo ao golpe de Estado. A fala “o presidente não vai dar golpe” refere-se, portanto, à viabilidade da ação, e não à intenção de Bolsonaro.

Pouco depois, Cid reforça que o ex-presidente tinha a intenção de seguir adiante com a trama golpista:

“Esse foi um dos motivos [pelos quais] ele não desmobilizou o povo na rua (…). Ele tinha esperança que até o último momento, até um dia ele falou: ‘Papai do céu sempre ajudou a gente, vamos ver o que aparece aí’. Que até o último momento fosse aparecer uma prova cabal que houve fraude nas urnas. E aí, sim, todo mundo visse, teria aquele povo na rua, mobilização, as Forças Armadas. Eu acho que isso era o que passava na cabeça do presidente.”

As peças enganosas foram compartilhadas por aliados do ex-presidente, como o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo).

Os vídeos da delação foram divulgados pelo STF na última quinta-feira (20). As gravações, no entanto, são de novembro do ano passado, quando Moraes convocou uma audiência após a Polícia Federal encontrar provas que divergiam das informações fornecidas por Cid.

Desde a semana passada, Bolsonaro e aliados têm adotado postura ambivalente em relação ao ex-ajudante de ordens. Por um lado, tentam desacreditar a delação, questionando a legalidade do depoimento e a veracidade das declarações.

Por outro, como é o caso das peças desinformativas em questão, utilizam trechos específicos como suposta prova de que Bolsonaro nunca teve intenção de dar um golpe, ignorando o contexto amplo da delação e também as outras provas que implicam a participação do ex-presidente na trama.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou o trecho completo da delação para averiguar o contexto em que a fala de Cid ocorreu. Também consultamos a imprensa para contextualizar a checagem.

Referências

  1. g1
  2. Aos Fatos (1 e 2)

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