É falso que juíza da Suprema Corte dos EUA foi presa por aceitar suborno

Por Priscila Pacheco

2 de março de 2022, 13h31

Não é verdade que a juíza da Suprema Corte dos EUA Sonia Sotomayor foi presa por ter aceitado suborno para aprovar o passaporte da vacina contra Covid-19, como afirmam nas redes sociais (veja aqui). A informação falsa surgiu em um site americano de humor, mas passou a circular no Brasil como real. No dia 22 de fevereiro, um dia depois da postagem falsa ser publicada, a magistrada trabalhou normalmente no tribunal.

O conteúdo enganoso reunia ao menos centenas de compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (2) e também tem sido compartilhado no WhatsApp (fale com a Fátima).


Selo falso

Texto falso sobre a prisão da juíza Sonia Sotomayor

É falso que a juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos Sonia Sotomayor foi presa pelas Forças Armadas pelo recebimento de suborno para aprovar “mandatos” de vacinação contra Covid-19 — tradução literal dos comprovantes de vacinação exigidos em ambientes fechados, o chamado passaporte vacinal.

A alegação falsa consta em postagens do dia 21 de fevereiro, que falam que a prisão teria ocorrido no dia 16. Sotomayor, inclusive, retornou ao trabalho presencial na corte na terça-feira (22).

As peças de desinformação traduzem um texto publicado em 18 de fevereiro no site Real Raw News, que diz publicar conteúdo humorístico.

Apresentação do site Real Raw News
Real Raw News. Site diz que contém conteúdos de humor, paródia e sátira

O site alerta que é humorístico, mas o texto sobre a falsa prisão da juíza, não. Segundo uma investigação da Poynter, a página foi inaugurada em 2020 e é conhecida por publicar desinformação com títulos virais. Aos Fatos entrou em contato com o site, mas não obteve retorno.

Aos Fatos não encontrou em sites de busca ou na imprensa local notícias sobre prisão ou acusação de propina da juíza Sonia Sotomayor. Em janeiro, a Suprema Corte americana começou a debater a constitucionalidade do passaporte vacinal e da exigência de testes, e Sotomayor participou das sessões em casa (veja aqui e aqui). A magistrada votou a favor da obrigatoriedade da vacina contra Covid-19 para trabalhadores de instalações de saúde no Missouri, no dia 13 de janeiro.

Por fim, a Marinha, citada nas postagens, não divulgou prisões de pessoas relacionadas a subornos para aprovação de passaporte vacinal, e também não há registros de que cidadãos americanos foram enviados por esse motivo para Guantánamo, unidade prisional mantida pelo governo americano em Cuba para acusados de terrorismo.

A Agência Lupa também checou essa peça de desinformação.

Referências:

1. Suprema Corte dos Estados Unidos (Fontes 1 e 2)
2. Institute for Government
3. CNN (Fontes 1, 2 e 3)
4. Poynter
5. The New Yorker
6. Marinha dos Estados Unidos
7. Al Jazeera


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