É falso que Ibama expulsou famílias em Rondônia porque governo vendeu terras para a China

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Não é verdade que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) expulsou famílias de suas casas após o governo federal vender terras em Rondônia para a China. Tanto a autarquia quanto a Casa Civil e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) negaram as alegações que circulam nas redes. O que ocorreu na região foi uma operação de remoção de invasores de territórios indígenas.

Publicações nas redes com o conteúdo enganoso acumulavam 178 mil visualizações no TikTok e dezenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (10).

O Ibama expulsando família das suas terras porque o governo vendeu para a China.

Print de publicação no TikTok mostra um homem desconhecido afirmando que o governo está expulsando famílias de suas terras em Alvorada D’Oeste, em Rondônia. A publicação leva uma legenda que diz: ‘O Ibama expulsando família das suas terras porque o governo vendeu para a China’.

Publicações em vídeo nas redes enganam ao afirmar que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) estaria expulsando famílias de suas residências em Alvorada D’Oeste (RO) porque o governo federal vendeu as terras para a China.

As cenas mostram, na realidade, uma ação de desintrusão (quando o Estado remove pessoas que ocupam ilegalmente uma área) determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A corte exigiu a retirada de pessoas não indígenas que teriam invadido terras pertencentes aos indígenas Uru-Eu-Wau-Wau em Rondônia.

Em nota, o Ibama disse desconhecer os casos mencionados no vídeo.

A Casa Civil também desmentiu, em nota, que a desocupação teria ocorrido pela venda do território para estrangeiros e afirmou que os ocupantes irregulares foram notificados com antecedência. Já o Incra disse, também em nota, que estrangeiros precisam de autorização da autarquia para aquisição de terras e que, ainda assim, não é verdadeira a alegação de que territórios na região tenham sido vendidos à China.

Uma busca reversa de imagem levou a reportagens publicadas pela imprensa local no final de outubro (veja aqui e aqui), com notícias de que a operação ocorreu devido ao processo de desintrusão, sem qualquer relação com supostas vendas de terras para estrangeiros, como alegam os posts falsos.

A ação fez parte de uma operação deflagrada pelo governo federal em setembro para cumprir uma decisão do Supremo no âmbito da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 709, que visa combater atividades ilegais e preservar os povos indígenas, garantindo a integridade de seus territórios e a proteção do meio ambiente.

A primeira fase da operação foi concluída em 8 de novembro e resultou em notificações para que ocupantes irregulares deixassem as terras indígenas.

Esta peça de desinformação também foi desmentida pela AFP.

O caminho da apuração

Aos Fatos consultou o Ibama sobre a suposta ação atribuída à autarquia, que respondeu em nota desconhecer os casos mencionados. A Casa Civil e o Incra também negaram que o território tenha sido desocupado para venda a estrangeiros.

A reportagem também fez uma pesquisa sobre ações voltadas à desintrusão de terras indígenas em Rondônia e constatou que as cenas retratam uma operação determinada pelo STF e cumprida pelo governo federal para a retomada do território demarcado, que teria sido ocupado ilegalmente.

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