É falso que governo Lula vai alimentar detentos com carne de jumento

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Não é verdade que o governo Lula anunciou que vai utilizar carne de jumento para alimentar presidiários a partir deste ano. Peças desinformativas compartilham reportagem de 2014 sobre uma proposta apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, sem qualquer relação com a Presidência da República.

Publicações com o conteúdo falso acumulavam milhares de visualizações no Kwai e TikTok, além de dezenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (20).

Lula vai trocar a picanha pelo jumento. Agora phu..deu… canibalismo não! Faz o L

A imagem é a captura de tela de um vídeo publicado em rede social. Na parte superior há um texto em letras brancas dentro de uma área preta com bordas irregulares, que diz: “Lula vai trocar a picanha pelo jumento. Agora phu..deu… canibalismo não!”. Na parte inferior do card, dentro de um retângulo vermelho, há o bordão

Publicações enganosas nas redes sociais compartilham como se fosse recente e tivesse relação com o governo Lula uma reportagem de 2014 do Jornal TCM, do canal potiguar TCM, sobre uma proposta apresentada pelo MP-RN (Ministério Público do Rio Grande do Norte) em evento com autoridades locais.

Na ocasião, um representante do MP-RN defendeu que jumentos capturados em estradas fossem abatidos e sua carne fosse utilizada para alimentar os detentos dos presídios estaduais. No almoço, foi servido churrasco de jumento para os presentes.

Aos Fatos localizou outras matérias sobre o evento e confirmou que ele ocorreu no dia 13 de março de 2014 em Apodi, no interior do estado. Não havia, portanto, nenhuma relação com o governo Lula nem com o PT, já que o Rio Grande do Norte na época era governado por Rosalba Ciarlini (DEM, hoje União Brasil).

À época, o estado enfrentava um problema de abandono de jumentos, que estavam sendo gradativamente substituídos por motos como meio de transporte no sertão. Descartados nas estradas e rodovias, os animais tornaram-se um problema de trânsito na região.

Cerca de 600 jumentos foram apreendidos num período de seis meses. Eles foram encaminhados para uma fazenda, mas os custos de manutenção e a limitação do espaço impulsionaram a busca por novas soluções.

O promotor Silvio Brito sugeriu o almoço como forma de conscientizar autoridades e população sobre o consumo da carne de jumento. A depender da aceitação, Brito vislumbrava a possibilidade de inserir a opção no cardápio de detentos e em merendas escolares da rede estadual.

Esta peça de desinformação também foi checada pela AFP.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou o vídeo original e outras reportagens sobre o evento. Foi constatado que o almoço ocorreu em 13 de março de 2014 na cidade de Apodi (RN), sem qualquer relação com o governo Lula.

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