Governo Lula não é responsável por ação judicial contra Canção Nova

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Não é verdade que o governo Lula (PT) está “perseguindo” o grupo de mídia católico Canção Nova. As peças desinformativas se referem a uma ação movida pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo), que não tem relação com o governo federal. O órgão solicitou uma intervenção na Fundação João Paulo 2º, mantenedora do sistema de comunicação e das ações sociais da Canção Nova, com a alegação de que a entidade tem atuado com “nítido desvio de finalidade”.

O conteúdo falso acumulava ao menos 1.800 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook. As peças também circularam no WhatsApp, plataforma em que não é possível estimar o alcance (fale com a Fátima).

Querem acabar com a Canção Nova! O Estado Laico e a Perseguição à Santa Igreja. Essa perseguição do governo do amor

Print de uma publicação na qual se lê em cima “Querem acabar com a Canção Nova! O Estado Laico e a Perseguição à Santa Igreja”. À frente do texto está a imagem de uma mulher branca e loira com o rosto borrado. Abaixo, lê-se “URGENTE. Essa perseguição do governo”.

Publicações nas redes sociais mentem ao afirmar que o governo Lula estaria “perseguindo” a Canção Nova, grupo católico com sede em Cachoeira Paulista (SP) que desenvolve ações religiosas e sociais, além de manter canais de TV, rádio e internet. As peças desinformativas referem-se a uma ação movida pelo MP-SP, sem relação com o governo federal.

No dia 21 de janeiro, o MP-SP pediu uma intervenção na Fundação João Paulo 2º, mantenedora dos projetos sociais e do sistema de comunicação da Canção Nova, e o afastamento de cinco membros do conselho deliberativo, incluindo o presidente e o vice. A Comunidade Canção Nova, por sua vez, é a responsável pelas atividades religiosas.

A ação ajuizada pelo órgão afirma que a entidade tem atuado com “nítido desvio de finalidade, denotando o controle da entidade a favor dos interesses da Comunidade Canção Nova”. Ainda não há decisão da Justiça sobre o caso.

Na última sexta-feira (24), o padre Wagner Ferreira da Silva, presidente da fundação, publicou um vídeo nas redes sociais com críticas ao pedido do MP-SP.

Na gravação, ele diz que a instituição “está tendo uma compreensão não adequada da Fundação João Paulo 2º” e afirma que as duas instituições — a fundação e a comunidade —, apesar de distintas, fazem parte de uma única obra da Canção Nova.

O religioso também acusa o MP-SP de promover um “movimento de laicização” e perseguição contra a entidade. O discurso vem sendo difundido também por parlamentares conservadores, como os deputados federais Marco Feliciano (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG), e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).

Print do vídeo publicado pelo padre Wagner Ferreira da Silva, presidente da Fundação João Paulo II. Ele é um homem branco de cabelos curtos, e está sentado em frente ao que parecem ser armários de madeira. Ele veste uma batina, óculos de aro preto e um relógio prata.
Na gravação, o padre Wagner acusa a ação de promover um “movimento de laicização” com objetivo de retirar a finalidade de evangelização da fundação.

Em nota divulgada na última terça-feira (28), o MP-SP esclarece que a ação “tem como objetivo precípuo assegurar a autonomia da instituição, dotando-a das melhores práticas de governança para que continue cumprindo as tarefas previstas em seu estatuto”.

O órgão nega a acusação de perseguição religiosa, ressaltando que o pedido não aborda aspectos relacionados à fé ou ao trabalho de benfeitorias da instituição religiosa, e pede tranquilidade da população para realização de um trabalho “estritamente técnico”.

A Fundação João Paulo 2º é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos criada em 1982 pelo Monsenhor Jonas Abib “como resposta à necessidade da Comunidade Canção Nova possuir uma mantenedora para o Sistema Canção Nova de Comunicação e Rede de Desenvolvimento Social Canção Nova”.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou informações sobre o caso no site do MP-SP, da Canção Nova e na imprensa.

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