Homem que faz denúncias falsas de fraude em vídeo não é servidor exonerado do TSE

Por Luiz Fernando Menezes

24 de novembro de 2022, 14h51

Não é um servidor exonerado em outubro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o homem que aparece em um vídeo com alegações falsas de fraude nas eleições presidenciais de 2022, como afirmam postagens. Ele é Éder Lima, usuário do Kwai, que não tem relação com o tribunal. As denúncias de Éder, que atribuem a vitória do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aos votos registrados após as 17h, também não se sustentam.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 10 mil compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (24), dezenas de milhares de visualizações no Kwai e circulam também no WhatsApp, no qual não é possível estimar o alcance (fale com a Fátima).


Selo falso

ESTE É O RAPAZ QUE O ALEXANDRE DISPENSOU DO TRABALHO QUE EXERCIA

Posts enganam ao dizer que homem que aparece em vídeo e denuncia fraude eleitoral é o servidor exonerado Alexandre Machado

É falso que um homem que faz denúncias enganosas sobre uma suposta fraude nas urnas seja um servidor exonerado pelo presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, como afirmam postagens. A pessoa que aparece no vídeo é o usuário do Kwai Éder Lima, que se declara administrador de empresas e mora no Rio de Janeiro. Não há um Éder Lima nas relações de servidores da corte eleitoral nos períodos próximos à eleição de 2022. Aos Fatos ainda procurou por exonerações de servidores da Justiça Eleitoral com o nome de “Éder Lima”, mas não encontrou nenhum resultado.

Embora não apareça o nome nas postagens, alguns dos compartilhamentos atribuem a Éder Lima a identidade de Alexandre Gomes Machado, servidor da Justiça Eleitoral que foi exonerado de um cargo em comissão no dia 25 de outubro. Ele foi retirado do cargo por práticas de assédio moral, segundo o TSE. Machado era responsável por disponibilizar as propagandas eleitorais de candidatos para emissoras de rádio e televisão no sistema da corte e a exoneração aconteceu após a campanha de Bolsonaro alegar, com informações falsas, que o presidente teve menos tempo de rádio no Nordeste

O jornal Estado de Minas publicou uma matéria com o perfil de Machado logo após sua exoneração. Nela, é possível ver uma das fotos do rosto do ex-servidor, que não se parece com Lima (veja comparação abaixo).

À esquerda, perfil de Alexandre Machado, que tem sobrancelhas mais grossas e olhos menos espaçados; à direita, vídeos com o rosto de Lima, que tem olhos menores, mais espaçados e sobrancelhas mais finas
Perfis. Machado (E) tem sobrancelhas mais grossas e olhos menos espaçados, diferente de Lima (D).

Além da falsa identificação, o vídeo ainda traz uma denúncia de fraude que não se sustenta. Lima alega que o presidente Bolsonaro teria ganhado no primeiro e segundo turno, mas que o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, foi eleito graças aos votos adicionados após o horário final da votação, às 17h.

É verdade que foram registrados votos após esse horário, mas não há nenhuma irregularidade ou indício de fraude, como explicou o Comprova. Isso porque é garantido por resolução do TSE que todos os eleitores que chegam à seção até as 17h podem votar.

Além disso, o sistema eleitoral não permite identificar os votos de cada candidato por horário: informações sobre os candidatos escolhidos por cada eleitor são embaralhadas em uma tabela para assegurar o sigilo do voto. Não é possível, portanto, afirmar que os votos registrados após o horário de votação foram para Lula, como faz o vídeo.

Referências:

1. TSE (1, 2, 3 e 4)
2. Imprensa Nacional
3. EBC
4. Aos Fatos
5. Estado de Minas
6. UOL

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