É falso que devedores de impostos terão chave Pix excluída

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Não é verdade que o Banco Central anunciou que quem deve impostos terá a chave Pix excluída, como afirmam publicações nas redes. Em nota, a autoridade monetária afirmou que a mudança não tem relação com o pagamento de tributos. As alterações preveem a exclusão de chaves de pessoas e empresas que apresentem inconsistências cadastrais, como uso de CPFs ou CNPJs de outros titulares ou documentos de pessoas mortas.

O conteúdo enganoso acumulava ao menos 1.400 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no X (ex-Twitter) até a tarde desta segunda-feira (10).

Quem não pagar os impostos terá chave Pix excluída, decide BC. A decisão, mesmo que recente, já levantou preocupações e debates no que diz respeito a desinclusão financeira do brasileiro médio.

Captura de tela de uma publicação no X na qual lê-se: 'Quem não pagar os impostos terá chave Pix excluída, decide BC. A decisão, mesmo que recente, já levantou preocupações e debate'. Abaixo, está a imagem de um leão em destaque à esquerda. Ao fundo, há um tom esverdeado com o logotipo da Receita Federal destacado em branco à direita.

Posts nas redes enganam ao afirmar que o Banco Central anunciou que devedores de impostos terão o Pix cancelado. As novas regras preveem que instituições financeiras e de pagamentos deverão excluir apenas as chaves de pessoas e empresas com situação cadastral irregular.

A norma é uma tentativa de garantir que os nomes de pessoas e empresas vinculadas às chaves Pix estejam em conformidade com aqueles registrados nas bases de CPF e CNPJ da Receita Federal. O objetivo é aprimorar a segurança das transações e impedir a aplicação de golpes financeiros.

Na prática, isso significa que terão a chave do sistema de pagamento cancelada:

  • CPFs com situação cadastral “suspensa”, “cancelada”, “titular falecido” e “nula”;
  • CNPJs com situação cadastral “suspensa”, “inapta”, “baixada” e “nula”.

Segundo a Instrução Normativa nº 2.172/2024, a situação cadastral independe do pagamento de tributos — por isso, quem deve à Receita Federal não terá seu Pix cancelado. A Receita identifica os seguintes critérios para determinar a situação cadastral:

  • Suspensa: caso haja inconsistência cadastral, como erros de grafia no nome;
  • Cancelada: em caso de multiplicidade de inscrição;
  • Nula: em caso de constatação de fraude.

Em nota enviada ao Aos Fatos, o Banco Central reforçou que “a inconformidade de CPFs e CNPJs que restringirá o uso do Pix não tem relação com o pagamento de tributos, mas apenas com a identificação cadastral do titular do registro na Receita Federal”. A mesma afirmação foi feita pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo, em vídeo publicado nas redes na última quinta-feira (6).

A informação falsa foi repercutida pelo vereador paulistano Rubinho Nunes (União-SP) em ao menos dois posts no Instagram que acumulavam cerca de 20 mil curtidas, e três posts no X que somavam 65 mil visualizações.

Captura de tela de uma publicação do vereador Rubinho Nunes (União-SP) no Instagram. A imagem contém duas partes principais. Acima, um trecho de uma manchete do jornal Folha de S.Paulo, que diz: 'Bancos deverão excluir chaves Pix de pessoas e empresas em situação irregular na Receita”. O trecho “excluir chaves Pix de pessoas” está destacado em amarelo. Abaixo, está o texto de Rubinho onde lê-se: “Lula e o Banco Central encontraram mais um jeito de ‘monitorar o Pix’. A desculpa é sempre a mesma: ‘segurança’ ou ‘combate a fraudes’. Mas, no fundo, é só mais um mecanismo de coerção estatal. Criminosos não estão nem aí para a Receita, enquanto o Seu Zé, do Uber, pode perder sua chave Pix por não declarar IR. Parabéns, Galípolo! Não nega que é um indicado do PT, sempre atrasando a vida do trabalhador'.

Fakes do Pix. Apesar de não serem novidade (veja aqui e aqui), mentiras virais sobre o Pix têm pautado as redes desde o início do ano. A desinformação de que transações acima de R$ 5.000 passariam a ser taxadas, por exemplo, ganhou tração nos primeiros dias de 2025 e fez com que o governo federal se mobilizasse para criar uma campanha publicitária de emergência.

À época, um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) insinuava que o governo Lula poderia a qualquer momento taxar o sistema de pagamento.

A gravação alcançou cerca de 328 milhões de visualizações e levou o governo a voltar atrás e cancelar a norma que obrigava instituições financeiras a informar movimentações acima de R$ 5.000 mensais à Receita Federal.

A Agência Lupa também desmentiu esta peça de desinformação.

O caminho da apuração

Aos Fatos entrou em contato com o Banco Central e confirmou que a nova regra não tem relação com o pagamento de tributos, e sim somente com a situação cadastral das pessoas e empresas usuárias do Pix. Também buscamos informações na imprensa e no site do Banco Central para contextualizar a matéria.

A reportagem também entrou em contato com o vereador Rubinho Nunes, que não retornou até a publicação da checagem.

Referências

  1. BC
  2. EBC
  3. Aos Fatos (1, 2, 3 e 4)
  4. X (@BancoCentralBR)

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