🕐 ESTA REPORTAGEM FOI PUBLICADA EM Julho de 2023. INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE TEXTO PODEM ESTAR DESATUALIZADAS OU TEREM MUDADO.

É falso que suspeito de hostilizar Alexandre de Moraes recebeu auxílio emergencial

Por Marco Faustino

19 de julho de 2023, 15h30

Não é verdade que o empresário Roberto Mantovani Filho, suspeito de hostilizar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e agredir o filho do magistrado na Itália, recebeu parcelas do auxílio emergencial, como alegam publicações nas redes. O nome e o CPF do beneficiário que aparece nas imagens difundidas pelas peças de desinformação são de outra pessoa.

Publicações com conteúdo enganoso somavam 360 mil visualizações no Twitter e centenas de compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (19). As peças enganosas circulam também no WhatsApp, plataforma na qual não é possível estimar o alcance (fale com a Fátima).


Selo falso

Como uma pessoa TÃO RICA ,QUE VAI PRA ROMA [empresário Roberto Mantovani Filho], que anda de carrão... Tem coragem de pegar o dinheiro [auxílio emergencial] destinado às pessoas que estavam com dificuldade financeira na pandemia

Captura de tela mostra dados de um beneficiário do auxílio emergencial chamado José Roberto Mantovani Filho como se fosse de empresário suspeito de hostilizar o ministro Alexandre de Moraes e agredir o filho dele. Os dados, no entanto, são diferentes do empresário.

Não é o empresário Roberto Mantovani Filho, suspeito de hostilizar o ministro do STF Alexandre de Moraes e agredir o filho do magistrado no aeroporto de Roma, o mesmo beneficiário do Auxílio Emergencial que aparece nas imagens difundidas pelas peças checadas.

O nome completo do beneficiário no registro do Portal da Transparência é José Roberto Mantovani Filho. Ele teria recebido dezesseis parcelas do auxílio emergencial, programa de transferência de renda do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) destinado a mitigar os impactos econômicos causados pela pandemia. Já o nome completo do suposto agressor de Moraes é somente Roberto Mantovani Filho, como mostra o registro eleitoral dele no TSE.

As sequências numéricas centrais do CPF do beneficiário do auxílio emergencial também são diferentes do suposto agressor de Moraes. Enquanto o documento de José Roberto Mantovani Filho possui a sequência “515.298”, a de Roberto Mantovani Filho é “560.968”, de acordo o CruzaGrafos, ferramenta da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), que utiliza como base dados da Receita Federal.

A mesma sequência numérica do CPF do empresário aparece na página de doadores das eleições municipais de 2020 mantida pelo TSE. Na época, Mantovani doou R$ 11 mil ao diretório local do PSD de Santa Bárbara do Oeste (SP), onde possui empresas do ramo de consultoria empresarial e equipamentos hidráulicos. Em 2004, o empresário concorreu a prefeitura do município paulista pelo PL, partido que na época era aliado do então presidente Lula e ao qual era filiado o então vice-presidente, José Alencar.

Hostilidade. O ministro Alexandre de Moraes relatou à Polícia Federal que ele e seus familiares foram hostilizados por brasileiros no aeroporto de Roma, na última sexta-feira (14). O magistrado aguardava um voo para outro país da Europa após participar de uma palestra na Universidade de Siena.

Segundo o relato, o empresário Roberto Mantovani Filho teria gritado, empurrado e acertado um tapa no rosto do filho do ministro. Andréia Munarão, mulher de Mantovani, teria se dirigido a Moraes e dito que ele seria “bandido, comunista e comprado”. Já Alex Zanatta Bignotto, genro de Mantovani, também teria proferido ofensas contra a família de Moraes.

No domingo (15), o advogado Ralph Tórtima Filho, que representa os três suspeitos, divulgou nota em que nega que eles tenham ofendido Moraes e sua família. Em depoimento à PF na terça-feira (18), Roberto Mantovani Filho disse ter “afastado com o braço” o filho do ministro para defender a esposa, e que “pode ter esbarrado” no óculos usado por ele, mas voltou a negar que houve ofensas ou ameaças direcionadas a Moraes, segundo o advogado.

Referências:

1. Portal da Transparência
2. TSE (1 e 2)
3. CruzaGrafos
4. Congresso em Foco
5. Aos Fatos
6. Poder360
7. G1 (1, 2)

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