Não é verdade que 232 empresas migraram para o Paraguai no governo Lula

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Publicações nas redes enganam ao dizer que 232 empresas brasileiras se mudaram para o Paraguai desde o início da atual gestão Lula (PT). O número representa o total de companhias que expandiram a produção no país vizinho entre 2007 e 2026, mas que ainda mantêm operações em solo brasileiro.

Esta peça de desinformação acumulava ao menos 18 mil curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (18).

Mais de 232 empresas já fugiram para o Paraguai, expondo o desastre tributário brasileiro.

Uma imagem mostra o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad — homem de pele clara, cabelos curtos, escuros e com fios grisalhos, vestindo terno azul-escuro, camisa branca e gravata vermelha —, posicionado no centro da composição. Ao fundo, do lado esquerdo, aparece a bandeira do Brasil com uma textura escura que simula rachaduras, enquanto do lado direito está a bandeira do Paraguai com seu brasão. No topo da imagem, há um pequeno retângulo preto com um ícone de gráfico branco e a inscrição 'ANÁLISE ECONÔMICA'. A metade inferior da imagem é sobreposta por um elemento que imita um pedaço de papel branco amassado e com bordas rasgadas, contendo o seguinte texto em letras pretas maiúsculas: 'MAIS DE 232 EMPRESAS JÁ FUGIRAM PARA O PARAGUAI, EXPONDO O DESASTRE TRIBUTÁRIO BRASILEIRO'. No texto, os trechos '232' e 'FUGIRAM PARA' estão destacados com um fundo amarelo.

São enganosas as publicações que trazem uma foto do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) junto da alegação de que 232 empresas brasileiras “fugiram para o Paraguai”. A afirmação distorce um dado que integra um levantamento da CEBRAS-PY (Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai).

Diferentemente do que sugerem as publicações, o dado não faz referência a empresas que se mudaram para o país vizinho. Na verdade, são companhias adeptas do chamado regime de maquila: elas abrem fábricas para produzir no Paraguai, mas permanecem operando no país de origem, inclusive mantendo a matriz.

“O correto seria dizer que as empresas ‘expandiram’, porque elas não fecharam totalmente as operações, não saíram do Brasil. O regime de maquila funciona assim: você tem a matriz no Brasil, o produto é fabricado no Paraguai e volta a ser comercializado no Brasil”, afirma a CEBRAS-PY em nota enviada ao Aos Fatos.

Esse regime, criado em 1997, beneficia empresas com isenções de impostos de importação de matérias-primas e taxas baixas sobre produtos agregados. Os benefícios dessa lei foram ampliados em 2025.

Nesse cenário, empresas podem optar por produzir alguns itens ou todos os seus produtos no Paraguai. Esse detalhamento — se as empresas passaram toda a sua produção ou apenas parte dela para o Paraguai —, no entanto, não consta nos dados da CEBRAS-PY.

O número citado pelas peças de desinformação sequer está restrito ao governo Lula. Ele leva em consideração todas as empresas que adotaram o chamado regime de maquila entre 2007 e 2026.

Outra lei que beneficia empresas instaladas no Paraguai é a lei nº 60/90, que isenta de impostos de importação de maquinário as fábricas estrangeiras que decidirem produzir no país.

Esta publicação faz parte de uma linha argumentativa que tem sido explorada por desinformadores críticos ao governo Lula. Desde o início do terceiro mandato, publicações (veja exemplos aqui e aqui) têm sugerido uma debandada generalizada de empresas por causa de uma suposta crise econômica causada pela gestão petista.

A desinformação começou a viralizar depois que Haddad disse, em entrevista ao podcast 3 irmãos, em 6 de junho, que o maior êxodo de empresas teria ocorrido durante o governo Bolsonaro. Aos Fatos não encontrou dados públicos que sustentem a alegação.

O caminho da apuração

Aos Fatos procurou o dado citado nas peças de desinformação e encontrou a fonte original. Solicitamos o levantamento para a CEBRAS-PY que, além de enviar o documento, também explicou por que as peças de desinformação estão incorretas.

Entramos em contato com o Ministério de Indústria e Comércio do Paraguai para solicitar os dados atualizados, mas não recebemos resposta até a publicação desta checagem.

Também procuramos informações sobre as legislações que têm atraído empresas ao Paraguai, principalmente nos últimos anos.

Referências

  1. Ministerio de Industria y Comercio de Paraguay (1 e 2)
  2. Interseas
  3. Aos Fatos (1 e 2)

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