Explosão forjada em carro-bomba foi gravada no Iraque, não na Palestina

Por Luiz Fernando Menezes

20 de maio de 2021, 16h25

Não é verdade que palestinos forjaram a explosão de um carro-bomba e atribuíram a autoria do ataque a Israel. O vídeo que vem circulando em postagens nas redes sociais com essa atribuição (veja aqui) é, de fato, uma encenação, mas foi gravado em 2016 em Bagdá, capital iraquiana, e mostra uma ação de um espião infiltrado no Estado Islâmico.

A gravação com a atribuição enganosa acumulava ao menos 21 mil compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (20) e foi marcada com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


Tô trazendo pra vocês aqui mais um vídeo da indústria de cinema, né, do grupo terrorista Hamas. O que a gente tá vendo aqui é um carro que será explodido como se Israel tivesse atingido ele lá esse carro com mísseis. Prestem atenção agora. Logo em seguida começam a entrar os figurantes que vão se jogar no chão como se tivessem sido as pessoas que sobreviveram a essa explosão (...).

Um vídeo que mostra um falso atentado terrorista ocorrido em 2016 em Bagdá, no Iraque, vem sendo compartilhado nas redes sociais com a atribuição enganosa de que seria uma armação de palestinos para incriminar Israel.

As imagens foram gravadas no distrito de Shi’ite, na capital iraquiana, e chegaram a ser noticiadas por veículos internacionais como se fosse um ato terrorista real. O vídeo que vem sendo compartilhado nas redes sociais foi publicado, pela primeira vez, em novembro de 2016 pela rede de mídia iraquiana INP no Twitter.

Mais tarde, no entanto, foi descoberto que se tratava de operação secreta do grupo de inteligência iraquiano Falcon para se infiltrar entre terroristas do Estado Islâmico. Segundo reportagens do New York Times e do Daily Mail, o capitão Harith al-Sudani, que estava disfarçado de jihadista, fingia plantar bombas para o grupo quando, na verdade, entregava os dispositivos para sua equipe e forjava uma explosão que não feria nenhum civil.

Sudani foi responsável por evitar 30 ataques de carros-bomba e 18 ataques suicidas do Estado Islâmico nos quase dois anos em que atuou como espião. Morreu em janeiro de 2017, após seu disfarce ter sido descoberto pelos jihadistas.

A Agência Lupa também publicou uma checagem sobre o assunto.

Referências:

1. Reuters
2. Twitter (@INPPLUSarabi)
3. New York Times
4. Daily Mail
5. Folha de S.Paulo

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