Não é verdade que um vídeo que mostra a movimentação de blindados do Exército em Foz do Iguaçu (PR) retrate uma ação do Exército para conter uma possível ação militar dos EUA na América do Sul, como sugerem posts. As imagens registram parte de um exercício que ocorre anualmente com forças armadas de países de língua portuguesa.
Posts enganosos reuniam ao menos 5.000 curtidas no Instagram até a tarde desta terça-feira (18).
Exército brasileiro chega a Foz do Iguaçu após forças americanas pousarem na América do Sul

Imagens de um exercício militar em Foz do Iguaçu (PR) têm sido compartilhadas fora de contexto nas redes para sugerir que se trata de uma preparação do Exército brasileiro a uma eventual ação dos EUA. O vídeo é real e recente, mas mostra um treinamento anual e programado há meses.
A movimentação de tropas brasileiras está relacionada ao Exercício Felino de 2026, que reúne representantes das forças armadas dos países lusófonos em Foz do Iguaçu, segundo o Ministério da Defesa. Ao todo, 700 militares brasileiros e 38 estrangeiros estão participando da edição.
Esse exercício é organizado pela CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) anualmente desde 2000. O Brasil foi escolhido para ser a sede de 2026 em abril deste ano e a conferência de planejamento do evento ocorreu em junho.
As peças de desinformação sugerem que a presença militar em Foz do Iguaçu seria uma resposta à atuação das forças americanas na Colômbia e no Panamá, mas isso também não é correto.
A Colômbia e mais dois países (Guatemala e Honduras) concordaram em permitir que os EUA realizem operações militares conjuntas contra grupos criminosos em seus territórios. O anúncio foi feito pelo secretário de defesa dos EUA, Pete Hegseth, em visita ao Panamá. Essas ações, no entanto, ainda não ocorreram.
Além disso, Foz do Iguaçu não faz fronteira com nenhum dos dois países citados nas peças de desinformação e fica a milhares de quilômetros de distância deles (veja mapa abaixo)

Desde a semana passada, publicações têm sugerido que o presidente Donald Trump estaria colocando em prática uma operação para prender Lula (veja aqui e aqui), como ocorreu com o ex-ditador Nicolás Maduro. Como pano de fundo, estaria o aumento da tensão diplomática entre o Brasil e os EUA.
Essa narrativa voltou a ganhar tração desde o dia 10 de agosto, quando o deputado republicano Carlos Gimenez postou no X uma montagem — republicada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) — que mostraria o petista capturado da mesma forma que ocorreu com o ex-ditador Nicolás Maduro.
Um dia depois, o Departamento de Estado dos EUA publicou um vídeo tido por usuários como uma ameaça, no qual um representante do governo Trump dizia que o domínio do país no continente “nunca mais será questionado”.
O caminho da apuração
Aos Fatos procurou por informações em canais oficiais e notícias na imprensa sobre a movimentação de tropas em Foz do Iguaçu. Em seguida, foi localizada publicação no site do Ministério da Defesa sobre o Exercício Felino.
A reportagem também procurou o Ministério da Defesa, que não respondeu até a publicação desta checagem.





