Estátua instalada na COP30 simboliza proteção da floresta, não homenagem satânica

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Não é verdade que foi instalada uma estátua satânica em Belém como legado da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), como afirmam publicações nas redes. A peça, entregue como um presente da China ao Brasil, simboliza a proteção da Amazônia e mistura o dragão, símbolo tradicional do país asiático, a uma onça, em referência à fauna brasileira.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam ao menos 140 mil visualizações no TikTok e centenas de compartilhamentos e curtidas no Facebook e no Instagram até a tarde desta terça-feira (18).

ESTÁTUA DO DEMÔNIO NA COP3 (sic)

A imagem mostra uma pessoa em primeiro plano, com o rosto desfocado. Ela veste uma camiseta escura e está em um ambiente interno com paredes de madeira. Na parte superior da imagem, há um texto grande que diz: 'ESTÁTUA DO DEMÔNIO NA COP3'. No canto inferior da imagem, aparece um quadro menor exibindo a foto de uma escultura de aparência fantástica e detalhes ornamentados, posicionada ao ar livre, com árvores e parte de um prédio ao fundo.

Publicações enganam ao afirmar que uma obra instalada em Belém (PA) durante a COP30 representa uma homenagem ao demônio. Na realidade, a escultura inaugurada no último domingo (16) é um presente do governo chinês ao Brasil e simboliza a proteção da floresta tropical. Não há qualquer referência religiosa na peça.

A obra “Espírito Guardião Dragão-Onça” é assinada pela artista chinesa Huang Jian, embaixadora do COI (Comitê Olímpico Internacional) e reconhecida por obras expostas em diversos países.

A imagem mostra uma cena ao ar livre, com árvores e pessoas ao fundo. À esquerda, há uma escultura de aparência fantástica posicionada sobre um pedestal decorado; a figura segura um globo com a inscrição ‘COP30’. À direita, está uma pessoa sorrindo e falando, vestindo uma camisa estampada com uma grande flor alaranjada e usando um chapéu. Atrás dela, aparecem outras pessoas, banners verticais e estruturas de madeira em formato triangular. Ao fundo, vê-se parte de um prédio claro com janelas arqueadas.
Estátua criada pela artista plástica chinesa Huang Jian não possui conotação religiosa (Divulgação/Prefeitura de Belém)

A peça reúne elementos das culturas chinesa e brasileira: o dragão, símbolo tradicional do país asiático, associado à sorte, à prosperidade e à renovação; e a onça, representante da fauna e da ancestralidade amazônica. A combinação, segundo a artista, representa a cooperação entre os dois países na agenda climática global.

Produzida em bronze, a peça foi desenvolvida após reuniões da artista com o prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), e com a secretária municipal de Cultura e Turismo, Cilene Sabino.

A obra principal também é acompanhada por outra escultura, chamada “Mãe Brasil”, que retrata uma figura feminina posicionada sobre uma vitória-régia. A planta foi escolhida, segundo a artista, por sua relevância simbólica no Brasil e pela semelhança com espécies tradicionais chinesas.

De acordo com a prefeitura, a escultura foi criada especialmente para a cúpula e inaugurada em uma cerimônia pública na área da Freezone Cultural Action, na Praça da Bandeira.

O monumento integra o legado cultural da COP30 e está associado à proposta de criação do “Prêmio Dragão-Pantera Guardião”, que pretende reconhecer pessoas e instituições envolvidas na preservação ambiental e na redução do desmatamento.

O caminho da apuração

A reportagem iniciou a apuração verificando a origem e o contexto da escultura mencionada nas publicações, por meio de buscas em registros oficiais da COP30, comunicados da prefeitura de Belém e informações divulgadas pelo governo do Pará. A partir da descrição feita pela própria artista Huang Jian, verificamos que não há conotação religiosa na peça, que simboliza a proteção da floresta tropical.

Referências

  1. O Liberal

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