Escultura de dedo gigante no Qatar não faz referência a amputações por roubos

Por Bruna Leite

30 de agosto de 2022, 17h29

Uma escultura que representa um dedo gigante dourado, instalada em um mercado no Qatar, não faz referência a amputações como punição por roubos, como diz um vídeo que circula nas redes (veja aqui). A obra “Le Pouce” (francês para “o polegar”) é do artista plástico César Baldeccini, reproduz o dedo do próprio autor e tem cópias presentes em diversos países, como França e Coreia do Sul. Não há evidências de que a escultura tenha relação com a aplicação da lei islâmica, presente no código penal do Qatar e que, em alguns países, pode gerar condenações a amputação de membros em casos de roubo.

A desinformação já ultrapassa 10 mil curtidas no Facebook nesta terça-feira (30).


Selo falso

Se liga na dica


Frame de vídeo que mostra escultura de polegar gigante dourado, instalada no Qatar, e desinforma ao associar obra a suposto aviso do governo contra roubo

Em um vídeo que circula no Facebook, um homem afirma que uma escultura que representa um polegar gigante foi instalada em frente ao mercado Souq Waqif, na capital do Qatar, em Doha, para lembrar as punições por amputação a quem rouba no país, o que é falso. A obra se chama “Le Pouce” (“o polegar”, em francês) e foi concebida pelo artista francês César Baldaccini em 1965, quando o escultor começou a treinar a técnica da moldagem ampliada e resolveu testá-la usando o modelo do seu próprio polegar.

Ela foi instalada em 2019 e tem réplicas em Paris, na França, em Seul, na Coreia do Sul, entre outras localidades. Não há registros de que o artista tenha feito a associação entre a escultura e a aplicação das penas por amputação em caso de roubo previstas em diversos países islâmicos.


Imagem da escultura “Le Pouce” em Doha, no Catar, que não tem relação com a lei islâmica sobre roubo
Escultura "Le Pouce" em Doha, no Qatar, que não tem relação com a lei islâmica. Marcia Picorallo



Escultura “Le Pouse” em Paris, na França
Escultura "Le Pouce" em Paris, na França. Open Gallery - Paris De La Defense

O código penal do Qatar prevê a aplicação das punições tradicionais da lei islâmica em crimes cometidos por muçulmanos, como ofensas ao Alcorão relacionadas a crimes como roubo, adultério, difamação e consumo de álcool. Não há, entretanto, uma alusão explícita à pena de amputação em caso de cometimento de roubos. Procurada por Aos Fatos, a embaixada do Qatar no Brasil não respondeu até a publicação desta reportagem.

Referências:

1.O Globo
2.Journal Mamater
3.Paris La Defense
4.Dreamstime
5.BBC
6.Al Meezan
7.ACN



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