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Em carta ao Facebook, sites de checagem se unem contra notícias falsas

17 de novembro de 2016, 12h29


Ao lado de outras 19 plataformas de checagem de vários cantos do mundo, Aos Fatos assinou nesta quinta-feira (17) uma carta aberta endereçada ao Facebook e a Mark Zuckerberg em defesa da adoção de critérios claros para identificar notícias falsas na rede social.

A iniciativa partiu da International Fact-Checking Network, da qual Aos Fatos faz parte. Em setembro, o grupo lançou, com signatários de ao menos 27 países, um compromisso internacional de boas práticas, de modo a certificar leitores e espectadores de que eles terão acesso a material desenvolvido por veículos apartidários e comprometidos com a transparência de suas atividades.

Junto de sites como AfricaCheck, Chequeado, OjoPublico e PolitiFact, Aos Fatos acredita que deve atuar, em parceria com o Facebook, para disseminar informações confiáveis nas redes. Segundo a carta, o "Facebook deveria iniciar uma conversa aberta a respeito dos princípios que sustentam um ambiente de distribuição de notícias corretas".

Leia, abaixo, a íntegra da carta divulgada nesta quinta-feira.


Contra notícias falsas, Facebook deveria buscar ajuda de checadores

Uma carta aberta a Mark Zuckerberg, de checadores de todo o mundo

Sr. Zuckerberg,

Na semana passada, o sr. escreveu que o problema das notícias falsas e das informações errôneas nas redes é particularmente complexo. Nas suas palavras, "identificar 'a verdade' é complexo". Nós concordamos. Isso também não deveria ser de exclusiva responsabilidade de apenas uma empresa.

Como uma rede de organizações independentes de checagem de fatos constituída para promover a correção do debate público em países como África do Sul, Nepal, Argentina e Reino Unido, lidamos com esse desafio diariamente. Nesse sentido, aderimos a um código de princípios comum.

Publicações com informações mentirosas sobre saúde serviram para incentivar a busca por tratamentos ineficazes e fragilizar campanhas de saúde pública ao redor do mundo. Alegações falsas na internet foram usadas para incitar violência em países como o Nepal e a Nigéria. Boatos disseminados no Facebook estimularam o linchamento e a morte de uma mulher no Brasil.

Reconhecemos que o Facebook representa uma ferramenta crucial para distribuir informações corretas. A rede pode ser um instrumento vital para um debate público sadio.

Acreditamos que o Facebook deveria iniciar uma conversa aberta a respeito dos princípios que sustentam um ambiente de distribuição de notícias corretas. A rede internacional de checadores está disposta a participar desse diálogo.

Muitas das nossas organizações já oferecem treinamento em checagem de fatos a veículos, a universidades e ao público em geral. Ficaríamos felizes em nos comprometer com o sr. de modo a indicar como seus editores poderiam encontrar e desmontar informações falsas.

Também acreditamos que é vital aperfeiçoar o papel dos usuários no combate à desinformação. Vários estudos demonstram que, a despeito da ideologia política, as pessoas estão mais dispostas a consumir informações que confirmem suas crenças — mesmo que sejam falsas.

O Facebook deveria facilitar a identificação de publicações mentirosas e notícias falsas por parte de seus usuários. O problema é muito amplo para ser tratado de maneira simplista.

Ficamos satisfeitos em saber de sua preocupação em relação ao potencial viral de notícias falsas. Não presumimos ter todas as respostas para resolver esse flagelo, mas o convidamos para iniciar uma conversa a esse respeito com urgência.

Assinam esta carta:

Africa Check | Agência Lupa | Agência Pública - Truco | Aos Fatos | Colombiacheck | Chequeado | Doğruluk Payı | FactCheck.org | FactCheckNI | Full Fact | Istinomer | Istinomjer | Observador | OjoPúblico | Pagella Politica | PolitiFact | South Asia Check | TheJournal.ie FactCheck | The Washington Post Fact Checker | Turkey and Facts