É falso que a multinacional sueca Electrolux vai encerrar as atividades de uma terceira fábrica no Brasil, como afirmam postagens nas redes sociais. A empresa disse para Aos Fatos que não há qualquer plano de fechamento de fábricas ou demissões no país. A notícia usada nas postagens enganosas é referente a anúncios feitos em outros países.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 1.000 interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta quarta-feira (12).
ELECTROLUX CONFIRMA FIM DE TERCEIRA FÁBRICA E NÚMERO DE DEMISSÕES CHEGA A 2.700

Publicações nas redes enganam ao afirmar que a Electrolux está fechando sua terceira fábrica no Brasil e demitindo cerca de 2.700 funcionários. As peças reproduzem o título de uma notícia sobre cortes promovidos pela companhia, mas omitem que os números referem-se a anúncios feitos em outros países.
Para o Aos Fatos, a companhia disse que não há planos de fechar fábricas ou realizar demissões em massa no Brasil. Segundo a companhia, o país é seu segundo maior mercado, atrás apenas dos Estados Unidos, e se consolidou como um "hub estratégico global".
“As operações no Brasil seguem sua trajetória planejada de crescimento e fortalecimento local. Diante da relevância do mercado brasileiro e da robustez de nossas operações, as reestruturações ou decisões operacionais pontuais adotadas em outras regiões do mundo não impactam o plano de negócios nem a manutenção das nossas unidades fabris e postos de trabalho no país”, afirmou.
Ao contrário do que sugerem as peças enganosas, a operação brasileira foi ampliada recentemente com a inauguração de um novo complexo industrial em São José dos Pinhais (PR). Atualmente, a Electrolux emprega cerca de 7.000 pessoas e mantém quatro unidades fabris em funcionamento no país.
As publicações tiram de contexto uma notícia do Jornal da Cidade Online. Embora o título da matéria não deixe claro onde ocorreriam os cortes, o texto informa que a fábrica a ser fechada fica na Hungria e associa o número de demissões a medidas anunciadas pela Electrolux no Chile, na Hungria e na Itália — não no Brasil.
As mudanças fazem parte de diferentes processos de reorganização das operações da multinacional em outros mercados. No Chile, a empresa anunciou em março o fechamento de uma planta industrial na capital Santiago, medida que afetou cerca de 400 trabalhadores.
Em abril, a empresa comunicou que pretende encerrar até o fim de 2026 a produção em sua fábrica na cidade de Jászberény, na Hungria, o que vai resultar na demissão de aproximadamente 600 funcionários.
A situação é diferente da registrada na Itália: em maio, a Electrolux apresentou um plano para reorganizar suas estruturas industrial e administrativa no país, que previa o encerramento de uma unidade industrial e o corte de aproximadamente 1.700 postos de trabalho.
A implementação das medidas, no entanto, foi suspensa em junho após negociações entre a companhia, sindicatos e autoridades italianas. Portanto, os cortes inicialmente projetados para o país não podem ser tratados como demissões já realizadas.
Narrativa recorrente. Esta não é a primeira vez que publicações nas redes distorcem anúncios de fechamentos de plantas industriais, encerramento de atividades ou demissões em massa sem relação com o Brasil para sugerir uma saída de empresas do país durante o governo Lula (PT). Somente neste ano, Aos Fatos já desmentiu alegações de que:
- Uma empresa não nomeada teria demitido 4.000 funcionários nordestinos;
- A Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, fecharia uma fábrica no Brasil;
- A Volkswagen teria demitido 100 mil funcionários no país;
- A Toyota teria encerrado as atividades no Brasil;
- Mais de 200 empresas teriam deixado o país para se instalar no Paraguai;
- A Coca-Cola decidiu reduzir o tamanho das embalagens vendidas no Brasil;
- A Mercedez-Benz transferiu as operações do Brasil para a Argentina;
- A fábrica responsável por produzir itens das marcas Adidas, Nike e Umbro teria sido transferida para o Paraguai;
- A Amazon teria anunciado o encerramento das operações no Brasil;
- E que o país teria registrado um recorde de falências em 2025.
Esta peça de desinformação também foi checada pela Reuters.
O caminho da apuração
Aos Fatos consultou a notícia usada como fonte pelas peças enganosas e verificou que os cortes mencionados se referem a operações da Electrolux na Hungria, no Chile e na Itália.
A reportagem também procurou a companhia, que negou planos de fechar fábricas ou promover demissões em massa no Brasil, e checou os anúncios feitos pela multinacional sobre a reorganização de suas operações nesses três países.





