É incorreto dizer que OMS concluiu que assintomáticos não têm potencial de transmitir Covid-19

Por Luiz Fernando Menezes

9 de junho de 2020, 18h23


Publicações nas redes sociais distorcem informações ao sustentar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) teria concluído que pacientes assintomáticos de Covid-19 não têm potencial de infectar outras pessoas (veja aqui). A alegação enganosa é referente ao que disse Maria Van Kerkhove, diretora de Doenças Emergentes da entidade, em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (8). Ao responder sobre o potencial de infectados sem sintomas na propagação da pandemia, a cientista afirmou que, por mais que não existam muitos dados, o contágio por assintomáticos seria raro, mas não impossível.

Depois dessa entrevista, tanto Van Kerkhove como Michael Ryan, diretor de Emergências da OMS, disseram que a entidade está convencida de que assintomáticos transmitem o vírus, mas que ainda restam dados conclusivos de quão comum é esse contágio.

Publicações no Facebook com a informação enganosa reuniam ao menos 4.500 compartilhamentos até a tarde desta terça-feira e foram marcadas com o selo DISTORCIDO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


DISTORCIDO

URGENTE! OMS conclui que pacientes assintomáticos não têm potencial de infectar outras pessoas

A OMS (Organização Mundial da Saúde) não concluiu que pacientes assintomáticos de Covid-19 não têm potencial para transmitir o novo coronavírus para outras pessoas, como tem sido veiculado em publicações nas redes sociais. Tal alegação distorce uma fala de Maria Van Kerkhove, diretora de Doenças Emergentes da entidade, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (8). No entanto, além de destacar a falta de dados consistentes, ela disse que esse tipo de contágio seria raro, não que inexistiria potencial.

Após uma jornalista perguntar sobre como os casos assintomáticos implicam na propagação da pandemia, Kerkhove respondeu que ainda pairam dúvidas a esse respeito e que pesquisas têm estudado a questão, e adicionou: “estamos constantemente analisando esses dados e estamos tentando obter mais informações dos países para realmente responder a essa pergunta. Ainda parece raro que um indivíduo assintomático realmente transmita adiante [o novo coronavírus]”.

Com a repercussão de sua fala na entrevista, Kerkhove foi ao Twitter horas depois para explicar melhor o que quis dizer na declaração. Segundo a cientista, “estudos abrangentes sobre a transmissão de indivíduos assintomáticos são difíceis de serem conduzidos, mas as evidências disponíveis do rastreamento de contatos relatadas pelos Estados-Membros sugerem que indivíduos infectados assintomáticos têm muito menos probabilidade de transmitir o vírus do que aqueles que desenvolvem sintomas”.

Em transmissão ao vivo na manhã desta terça-feira (9), Michael Ryan, diretor de emergências da OMS, afirmou, em nome da entidade, que “estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo” e que “a questão é saber quanto”. Na ocasião, Kerkhove também disse que “a maioria das transmissões que conhecemos ocorre por pessoas com sintomas que transmitem o vírus por meio de gotículas infectadas. Mas há um subconjunto de pessoas que não desenvolvem sintomas".

Referências:

1. OMS (1 e 2)
2. Maria Van Kerkhove (Twitter)

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