É golpe alerta que exige pagamento para liberar encomenda retida pelos Correios

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É falso o suposto anúncio da Receita Federal que circula nas redes e alega que consumidores devem pagar uma taxa para liberar encomendas retidas pelos Correios. Trata-se de um golpe aplicado por criminosos para roubar dinheiro e dados pessoais de usuários.

As publicações que compartilham o anúncio fraudulento somavam centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (5).

Alerta. Urgente. Receita Federal. Sua encomenda está retida e a falta de regularização pode gerar multas de até R$ 1.900 e ainda sujar seu nome.

A imagem mostra uma pessoa com pele clara vestindo uniforme amarelo e azul, semelhante ao utilizado pelos Correios, segurando um cartaz retangular. O cartaz traz textos em azul e amarelo com os dizeres ‘Alerta urgente Receita Federal’, seguido de mensagem sobre suposta encomenda retida, multa e necessidade de regularização, além de um aviso de ‘últimas horas para resolver’. Ao fundo, desfocado, há uma rua, construções e um veículo amarelo estacionado.

Criminosos têm compartilhado um falso comunicado atribuído à Receita Federal para fazer crer que contribuintes estariam com encomendas retidas nos Correios e deveriam pagar uma taxa aduaneira de R$ 69,27 para liberar as mercadorias. O objetivo é roubar dinheiro e dados pessoais de usuários.

A Receita Federal e os Correios têm alertado ao longo dos últimos anos sobre esse tipo de mensagem enganosa, que direciona os consumidores a sites fraudulentos:

  • O Fisco nunca liga ou manda mensagens de cobrança de pagamento para liberar encomendas;
  • Para rastrear as remessas transportadas pelos Correios e realizar pagamento de eventuais impostos ou taxas, o usuário deve recorrer ao aplicativo oficial da estatal (Android ou iOS) ou ao site, no serviço “Minhas importações”;
  • O CPF precisa estar regular e é necessário que o nome do destinatário corresponda ao cadastro na Receita Federal.

O golpe circula ao menos desde meados de 2024 e já teve uma versão similar checada pelo Aos Fatos no fim do ano passado.

Entenda abaixo como funciona o esquema criminoso:

  • As peças enganosas são acompanhadas do botão “saiba mais”. Ao clicar, o usuário é direcionado a sites que falsificam a identidade visual da Receita Federal;
  • Nas páginas enganosas, o consumidor é apresentado ao falso comunicado atribuído ao Fisco que solicita a regularização de encomendas retidas. Caso contrário, de acordo com as peças de desinformação, o contribuinte estaria sujeito a multas de até R$ 1.900, negativação do CPF e cobranças judiciais;
  • Há um botão que leva o usuário a uma outra página, que simula a identidade visual dos Correios, e o induz a fornecer o número do CPF para realizar a consulta de encomendas supostamente retidas;
  • Em simulações feitas pelo Aos Fatos, apareceram códigos de rastreamento inexistentes na base de dados da estatal, além da foto editada digitalmente da suposta encomenda para inserir dados de nome e CPF que não estão de acordo com as regras de postagem;
  • Ao clicar para regularizar a situação, o usuário é informado sobre a necessidade do pagamento de uma taxa de R$ 69,27, decorrente de um cálculo arbitrário e sem qualquer base tributária;
  • Por fim, o consumidor é encaminhado a uma página de pagamentos em que precisa preencher dados pessoais, como nome, email e telefone, e pagar a falsa taxa via Pix;
  • Os golpistas se apropriam dos dados fornecidos e do valor pago.

Como ocorre em outros golpes, a única forma de pagamento disponibilizada pelos golpistas é o Pix. Neste caso, as vítimas podem recorrer ao MED (Mecanismo Especial de Devolução), sistema criado pelo Banco Central em 2021, e que foi aprimorado pela entidade, para reparar danos gerados por fraude ou golpe com o uso da tecnologia.

Para tentar reaver os valores roubados, o consumidor deve apresentar provas de que caiu em um golpe, como boletins de ocorrência e prints de conversas no WhatsApp. Nem sempre a devolução dos valores pelas instituições financeiras é integral. Caso o estorno seja negado, o consumidor tem a alternativa de ingressar com ação na Justiça.

O caminho da apuração

A reportagem analisou as publicações nas redes e consultou canais oficiais para verificar se havia comunicados emitidos pela Receita Federal ou pelos Correios com teor semelhante. Foram checadas páginas institucionais, comunicados recentes e orientações públicas das duas entidades sobre procedimentos para liberação e pagamento de taxas.

Aos Fatos também navegou pelos links presentes nas peças para identificar o funcionamento da fraude, observando o percurso do usuário, as páginas acessadas e as informações solicitadas.

Além disso, foram consultadas normas e orientações de atendimento para confirmar os canais oficiais utilizados para cobrança e regularização de remessas.

Referências

  1. Receita Federal (1 e 2)
  2. Correios (1, 2 e 3)
  3. Google Play Store
  4. Apple Store
  5. Secom da Presidência
  6. Aos Fatos
  7. Banco Central (1 e 2)

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