É falso que vídeo mostra reencontro de Débora dos Santos com a família

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Não é verdade que um vídeo mostra a cabeleireira Débora dos Santos, presa pelos atos golpistas de 8 de Janeiro, se reencontrando com sua família após ser transferida para a prisão domiciliar. Além de a gravação compartilhada pelos posts enganosos ser antiga, as pessoas que aparecem na imagem têm características físicas diferentes dos familiares de Débora.

As peças de desinformação somavam centenas de compartilhamentos no X e no Facebook até a tarde desta quarta-feira (2).

Aí está o vídeo da Débora voltando pra casa após meses como presa política por passar batom numa estátua. O abraço nos filhos me desmontou.

Print mostra trecho de vídeo em que aparece um homem negro usando uma camisa vermelha e calça jeans. Ele segura a mão de duas crianças: uma menina usando um vestido amarelo (à dir.) e um menino usando uma camisa branca e calça preta (à esq.). Ambos tiveram os rostos borrados pelo Aos Fatos para preservar suas identidades. Legenda inserida no vídeo diz: ‘Chorei junto. Soltaram mais uma ‘terrorista’. Isso a Globo não mostra. Surpresa’

Posts nas redes mentem ao compartilhar um vídeo que mostra o reencontro de uma mulher com seus familiares como se fosse um registro do momento em que a cabeleireira Débora dos Santos revê os filhos após passar para a prisão domiciliar.

Por meio de busca reversa, Aos Fatos verificou que a gravação circula nas redes ao menos desde julho de 2023 — antes, portanto, da decisão da última sexta (28) do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Embora a reportagem não tenha encontrado o contexto original do registro, as pessoas que aparecem no vídeo possuem características físicas diferentes do marido e dos filhos de Débora: o homem e as crianças da gravação têm pele negra, sendo que os familiares da cabeleireira têm pele branca (veja abaixo). Além disso, Débora tem dois filhos meninos, enquanto a gravação mostra uma menina e um menino.

Comparativo mostra diferenças físicas entre pessoas que aparecem em duas imagens. A primeira, acima, mostra um homem negro que usa uma camisa vermelha e calça jeans, e segura a mão de duas crianças: uma menina usando um vestido amarelo e um menino usando uma camisa branca e calça preta. Já a segunda, abaixo, mostra Débora, o marido e os filhos, todos de pele branca e usando vestimentas brancas. Todas as pessoas que aparecem nas imagens tiveram os rostos borrados pelo Aos Fatos para preservar suas identidades.
Comparativo mostra Débora ao lado de seu marido e filhos (abaixo) e o homem com duas crianças que aparece no vídeo difundido pelas peças enganosas (acima)

Presa pela PF em março de 2023 por participar dos atos de vandalismo do 8 de Janeiro em Brasília, onde foi fotografada pichando a frase “Perdeu, Mané” na estátua da Justiça, Débora foi acusada pela PGR (Procuradoria Geral da República) de cinco crimes, que podem resultar em 14 anos de prisão.

O julgamento da cabeleireira na Primeira Turma do STF foi suspenso em 24 de março após o ministro Luiz Fux pedir vista (mais prazo para analisar o processo). O placar está 2 x 0 a favor da condenação.

O caminho da apuração

Aos Fatos fez uma busca reversa e verificou que a gravação é anterior à decisão que tornou possível Débora cumprir prisão domiciliar. Comparamos também as características físicas das pessoas que aparecem no vídeo com a dos familiares da cabeleireira.

Referências

  1. Agência Brasil (1 e 2)
  2. CNN Brasil
  3. g1

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