É falso que Washington Post noticiou que China não quer usar a CoronaVac

Por Priscila Pacheco

7 de janeiro de 2021, 16h26


Não é verdade que o jornal americano The Washington Post noticiou que a China não quer usar em seus habitantes a CoronaVac, vacina contra Covid-19 da empresa chinesa Sinovac que será produzida pelo Instituto Butantan no Brasil. As postagens que trazem essa alegação falsa (veja aqui) também enganam ao citar que a sede da farmacêutica seria nas Ilhas Cayman, quando fica em Pequim, e que o governo paulista financia a empresa desde 2019. O contrato para a aquisição da vacina foi firmado apenas em junho de 2020.

As postagens reuniam ao menos 4.800 compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (7) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação (saiba como funciona).



É falso que o jornal americano The Washington Post noticiou que a China não quer usar a CoronaVac, vacina desenvolvida pela Sinovac que, no Brasil, ficará a cargo do Instituto Butantan. Também não é verdade que a sede da farmacêutica chinesa fica nas Ilhas Cayman e que ela é financiada pelo governo de São Paulo desde 2019. Essas alegações enganosas constam em posts que reúnem milhares de compartilhamentos nas redes.

O arquivo do jornal The Washington Post não contém reportagens que atestem as afirmações das postagens. Em outubro, o veículo noticiou que quatro vacinas experimentais produzidas por três empresas chinesas - Sinovac Biotech, Sinopharm e CanSino Biologics - eram usadas em regime emergencial ainda durante os testes clínicos. A aprovação da CoronaVac para uso emergencial na China ocorreu em julho de 2020 e continua em vigor.

O motivo alegado pelas postagens para a recusa do país em usar a vacina, de que a Sinovac estaria "com problemas na China", distorce informações de reportagem publicada pelo jornal em dezembro sobre casos de suborno envolvendo a empresa no passado.

O texto destaca, por exemplo, que Yin Weidong, fundador da farmacêutica, admitiu em um testemunho em 2016 que pagou mais de US$ 83 mil em propinas entre 2002 e 2011 para Yin Hongzhang, ex-vice-diretor do FDA China (Food and Drug Administration, agência reguladora de medicamentos e alimentos da China), e sua esposa.

Segundo a reportagem, Weidong não foi acusado e continua trabalhando na empresa. Já Hongzhang foi condenado em 2017 a dez anos de prisão por ter aceitado propina da farmacêutica e de outras sete empresas. Entretanto, o texto do Washington Post cita que a Sinovac não se envolveu em escândalos de segurança e que não há evidências de que alguma das vacinas aprovadas em casos de suborno tenham apresentado problemas.

Sede na China. Além disso, a sede da Sinovac está localizada em Pequim, capital chinesa, e não nas Ilhas Cayman, no Caribe. É falso ainda que o governo de São Paulo financia a empresa desde 2019: o contrato para a aquisição da vacina foi o primeiro firmado entre as partes e só ocorreu em junho de 2020. A CoronaVac, inclusive, poderá ser a primeira vacina da farmacêutica licenciada no Brasil.

Referências:

1. Aos Fatos
2. The Washington Post (Fontes 1, 2 e 3)
3. UOL
4. Our World in Data
5. Bloomberg
6. Sinovac
7. Estadão

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