É falso que vídeo mostra parlamentares envolvidos em fraude do INSS

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Não é verdade que foram divulgados os nomes dos políticos envolvidos na fraude do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social). As publicações listam parlamentares que, em 2019, apresentaram emendas a uma medida provisória contra fraudes na Previdência. Essas emendas teriam sido redigidas por uma entidade que, hoje, está supostamente envolvida no esquema criminoso. Os políticos não são citados nas investigações.

O conteúdo enganoso foi enviado por leitores do Aos Fatos à Fátima, nossa robô checadora (fale com a Fátima). Publicações com a informação descontextualizada também alcançaram centenas de usuários no Facebook, no Instagram e no Threads.

Saiu a lista dos políticos envolvidos com o escândalo do INSS.

Print de post no Facebook que mostra um homem branco, de cabelos pretos e barba, usando camisa azul em pé de frente a um painel que mostra a imagem de 15 parlamentares brasileiros. Acima está escrito: ‘Saiu a lista dos políticos envolvidos com o escândalo do INSS’.

Posts nas redes têm disseminado um vídeo fora de contexto para alegar que teriam sido divulgados os nomes de 15 parlamentares envolvidos na fraude do INSS. A lista cita os políticos que apresentaram emendas à MP 871, que pretendia combater fraudes na Previdência. Essas emendas teriam sido editadas por uma entidade associativa que, mais tarde, foi citada no esquema de descontos indevidos.

No vídeo original, publicado no YouTube em 18 de junho, o jornalista Joslei Cardinot repercutia uma reportagem do Metrópoles. O texto aponta que 96 emendas apresentadas por 15 parlamentares para modificar a MP 871 teriam sido redigidas pela Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura).

Em nenhum momento da reportagem, o Metrópoles acusa os parlamentares citados de terem qualquer relação com o escândalo que desviou cerca de R$ 6,3 bilhões do INSS.

Os nomes dos políticos citados pela reportagem não constam em nenhuma outra notícia publicada sobre as fraudes do INSS — escritas com base em vazamentos do inquérito da PF (Polícia Federal) — ou no relatório da CGU (Controladoria-Geral da União).

Outros políticos, no entanto, já foram mencionados. É o caso de Onyx Lorenzoni (PP-RS), ministro do Trabalho e Previdência na gestão de Bolsonaro, do senador Sergio Moro (Podemos-PR) e do deputado federal Fausto Pinato (PP-SP). Os três negam quaisquer irregularidades.

Lobby. Na época, um dos objetivos da Contag era prorrogar o prazo de revalidação dos descontos associativos, ponto central da fraude do INSS. A MP 871, editada pelo governo Bolsonaro, previa que a revalidação deveria acontecer a cada ano. Doze das emendas supostamente redigidas pela entidade ampliavam esse prazo para cinco anos.

A pressão surtiu efeito, e parlamentares conseguiram prorrogar o prazo de revalidação para três anos. A necessidade foi extinta em definitivo em 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou a lei 14.438.

Esta peça de desinformação também foi verificada pela Agência Lupa.

O caminho da apuração

Aos Fatos consultou o registro original do vídeo compartilhado pelas peças de desinformação e constatou que as publicações omitiram o contexto da notícia.

A reportagem também leu a reportagem publicada pelo portal Metrópoles e observou que em nenhum momento a matéria acusou os 15 parlamentares de estarem envolvidos no esquema de descontos irregulares do INSS. Foram usadas também outras notícias sobre o caso para contextualizar a verificação.

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