É falso que vacina da Pfizer tem organismos vivos em sua composição

Por Marco Faustino

27 de outubro de 2021, 13h55

Não é verdade que a vacina contra a Covid-19 da Pfizer tem organismos vivos e substâncias como alumínio, bromo e grafeno, como alegam publicações nas redes sociais (veja aqui). Análises feitas por agências reguladoras pelo mundo não constataram a presença desses elementos na composição do imunizante.

Publicações com o conteúdo enganoso contabilizavam ao menos centenas de compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (27).


Médico polonês Franc Zalewski afirma ter encontrado forma na vacina da Pfizer contra a Covid-19, que contém grafeno, baseada em alumínio, bromo e carbono

Circula nas redes sociais a alegação de que vacinas da Pfizer contra a Covid-19 contém “outra forma de vida” e substâncias como alumínio, bromo e grafeno. Nenhum desses elementos foram identificados na composição do imunizante em análises feitas por órgãos reguladores como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o FDA (Food and Drug Administration, do governo dos EUA) e a EMA (European Medicines Agency, agência da União Europeia). Em todos esses casos, a vacina foi liberada para uso.

A vacina da Pfizer é composta por RNA mensageiro (mRNA) e algumas substâncias inertes que são incorporadas como veículo para medicamentos, como água, sais, gorduras e açúcar.

Segundo Ana Paula Herrmann, biomédica e professora de Farmacologia do ICBS/UFRGS (Instituto de Ciências Básicas da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, não existe forma de vida baseada em alumínio e bromo. Os organismos vivos são compostos principalmente por carbono e hidrogênio.

“Todos os seres vivos — e mesmo os vírus — são feitos de macromoléculas que são lipídios, carboidratos, proteínas e material genético (DNA/RNA), e tudo isso é feito de carbono, oxigênio, hidrogênio e nitrogênio basicamente, além de outros elementos em menor quantidade”, explica.

De acordo com o biomédico e microbiologista Mateus Falco, da UEL (Universidade Estadual de Londrina), bromo e alumínio até podem ser encontrados em organismos, mas por meio de ingestão. “O alumínio, por exemplo, poderia entrar em um organismo pela alimentação com peixes contaminados”, ressaltou.

Origem. A peça de desinformação traz um vídeo em que um geólogo polonês chamado Franc Zalewski, da Universidade da Silésia — que não é médico, embora seja apresentado como tal — afirma ter encontrado um suposto organismo vivo em um frasco da vacina da Pfizer. Ele não informou como obteve o material nem como chegou a essa conclusão.

Procurado por Aos Fatos, Zalewski não retornou o contato. Em resposta ao site de checagem Health Feedback, o geólogo alegou que o organismo pode ser de origem extraterrestre.

Referências:

1. Aos Fatos
2. FDA
3. EMA
4. Anvisa
5. Dr. Franc (Fontes 1 e 2)
6. Health Feedback


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