É falso que uso de máscaras reduz entrada de oxigênio nos pulmões

Por Luiz Fernando Menezes

26 de junho de 2020, 13h39


Publicações nas redes sociais enganam ao dizer que as máscaras de proteção facial impedem a respiração correta, levando à falta de oxigenação, intoxicação ou inalação de grandes quantidades de gás carbônico. Especialistas ouvidos por Aos Fatos negam os malefícios citados pelas peças de desinformação (veja aqui) e afirmam que as máscaras são produzidas para permitir a troca gasosa com o ambiente.

No Facebook, publicações do tipo reuniam mais de 7.000 compartilhamentos até a tarde desta quinta-feira (25). Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da última rede social (entenda como funciona).


FALSO

Não é verdade que o uso de máscaras impede a oxigenação dos pulmões, causa intoxicação e provoca a acidificação do sangue (hipercapnia), como afirmam publicações compartilhadas em redes sociais. De acordo com especialistas consultados por Aos Fatos, as máscaras não afetam a respiração, pois são feitas para permitir as trocas gasosas com o ambiente. A OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Ministério da Saúde recomendam o uso do equipamento para evitar a propagação de gotículas de uma pessoa infectada.

Segundo Leonardo Weissmann, médico e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a “figura traz um monte de bobagem escrita”. O infectologista afirma que a máscara funciona como uma barreira contra o vírus, mas não contra o ar: “ela não vai impedir a respiração, não vai diminuir a oxigenação, não vai fazer com que as pessoas acumulem gás carbônico, causando hipercapnia. Nada disso”, explicou ao Aos Fatos.

De acordo com o biólogo e professor do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo) Daniel Lahr, entrevistado por Aos Fatos em ocasião anterior, as máscaras são produzidas para permitir a respiração ao mesmo tempo que filtram o ar. Caso haja algum desconforto para inspirar, provavelmente o equipamento é inadequado, explicou Lahr.

A OMS publicou um documento no dia 5 de junho com orientações para o uso da proteção no combate à Covid-19. O texto chega a listar alguns possíveis malefícios, como lesões na pele, dermatite e dificuldade de respirar “dependendo do tipo de máscara usado”. Não há, no entanto, nenhuma citação à hipercapnia (acidificação do sangue por meio da inalação de gás carbônico), à intoxicação e ao impedimento da oxigenação pulmonar.

Ainda segundo o documento, há evidências de que as máscaras evitam a propagação de gotículas de uma pessoa infectada. A OMS cita a meta-análise feita pela Lancet que revisou 172 estudos sobre o efeito do uso de máscaras na redução da transmissão do novo coronavírus. Até o momento foram feitos apenas estudos observacionais e, portanto, ainda não há resultados conclusivos sobre o tema.

Mesmo que não haja estudos conclusivos sobre a eficácia do uso das proteções por pessoas saudáveis na contenção da pandemia, a OMS recomenda que a população em geral utilize os equipamentos em situações específicas, como aglomerações, unidades de saúde e locais com confirmação ou suspeita da infecção.

As proteções faciais são atualmente indicadas pelo Ministério da Saúde porque funcionam como uma barreira física para gotículas expelidas: “o uso das máscaras caseiras faz especial sentido quando houver necessidade de deslocamento ou permanência para um espaço onde há maior circulação de pessoas”, afirma a pasta. Além disso, algumas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, tornaram o uso obrigatório em locais públicos.

As máscaras de proteção são alvo recorrente de peças de desinformação nas redes sociais. Na última segunda-feira (23), Aos Fatos desmentiu um vídeo que dizia que a elas causariam hipercapnia, deixando o sangue ácido. Em maio, foram checadas outras postagens que afirmavam que o uso prolongado levaria à insuficiência de oxigênio.

Referências:

1. Aos Fatos (Fontes 1, 2 e 3)
2. Opas
3. The Lancet
4. Ministério da Saúde
5. Folha de S.Paulo
6. G1
7. EBC


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