É falso que União Europeia substituirá vacinas contra Covid-19 por ivermectina

Por Luiz Fernando Menezes

14 de outubro de 2021, 17h17

Não é verdade que a União Europeia vai substituir a vacinação contra a Covid-19 pelo uso de medicamentos como a ivermectina, conforme alegam postagens nas redes (veja aqui). A Comissão Europeia desmentiu esta afirmação e disse que a imunização prosseguirá normalmente nos países do bloco.

Este conteúdo enganoso acumulava centenas de compartilhamentos em publicações no Facebook nesta quarta-feira (14). A peça de desinformação também circula no WhatsApp, onde não é possível medir com precisão seu alcance.


UNIÃO EUROPEIA SUBSTITUIRÁ VACINAS POR MEDICAÇÕES E UMA DELAS É IVERMECTINA. Boas notícias para quem não gosta da vacina Covid-19. A PARTIR DE 20/10/2021, COVID TRIAL E PROTEÇÃO DE VACINAS PARA COVID 19 SERÃO CANCELADOS TODOS NA EUROPA… Todas as vacinas não serão mais aprovadas a partir de 20 de outubro de 2021 (...).

Circula nas redes sociais uma mensagem que afirma que a União Europeia deixará de vacinar a população contra a Covid-19 no dia 20 de outubro e passará a administrar medicamentos — entre eles, a ivermectina — para combater a doença. Além de não haver nenhum anúncio oficial sobre o assunto, a Comissão Europeia desmentiu as alegações em nota enviada ao Aos Fatos.

“Estamos lutando contra a pandemia em várias frentes: por meio de vacinas, para proteger as pessoas contra o vírus e suas variantes, e por meio do tratamento de pacientes com Covid-19. (...) Nosso trabalho com as vacinas, portanto, continuará em complementaridade com nosso trabalho sobre o tratamento”, afirmou a comissão.

A peça de desinformação vem acompanhada do link de um comunicado oficial da União Europeia de junho deste ano sobre cinco tratamentos que ainda estão sendo estudados e que se mostraram promissores contra a Covid-19. O uso da ivermectina não é citado. Entre as terapias estudadas, estão o imunossupressor baricitinib e quatro tipos de anticorpos monoclonais. Nenhum deles ainda foi aprovado pela agência reguladora europeia nem está disponível ao público.

Além disso, o comunicado, diferentemente do que aponta a mensagem enganosa, afirma que mesmo com a pesquisa de novos tratamentos, “a vacinação contra a Covid-19 oferece a melhor maneira de acabar com a pandemia e trazer de volta a vida normal”. A União Europeia tem quatro imunizantes contra Covid-19 aprovados para aplicação atualmente: Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen.

Estudo. A peça de desinformação ainda cita um estudo do Instituto Pasteur publicado na revista EMBO que teria supostamente reconhecido a eficácia da ivermectina contra a infecção do novo coronavírus. O artigo citado, no entanto, descreve os resultados de testes do vermífugo em hamsters.

Conforme já explicado por Aos Fatos, um medicamento que teve sucesso em testes com células em laboratório ou animais não necessariamente se tornará um tratamento viável para seres humanos. Uma substância só é considerada eficaz contra uma doença após seguir uma metodologia científica rígida, com vários testes clínicos. Até o momento, não há evidências da eficácia da ivermectina contra a Covid-19.

O Estadão Verifica, o Boatos.org e o Yahoo Notícias também publicaram checagens sobre o assunto.

Referências:

1. Comissão da União Europeia (1 e 2)
2. EMBO
3. Aos Fatos


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