É falso que Suprema Corte dos EUA decidiu que vacinados contra Covid-19 não são humanos

Por Luiz Fernando Menezes

18 de outubro de 2021, 16h30

Não é verdade que a Suprema Corte dos EUA decidiu que vacinados contra a Covid-19 não são humanos porque seus DNAs foram alterados, como afirmam nas redes (veja aqui). As vacinas não modificam o código genético nem o tribunal proferiu tal decisão. A alegação distorce o sentido de um documento usado em julgamento em 2013 sobre a legalidade de patentes de trechos do genoma humano, sem relação com os imunizantes.

O conteúdo enganoso circula principalmente no Telegram, mas também foi compartilhado no Facebook, com centenas de compartilhamentos até a tarde desta segunda-feira (18).


De acordo com o Supremo Tribunal Americano, as pessoas vacinadas não são mais consideradas humanas. Se isso é para ser levado a sério, a vacina modifica seu código genético, tornando você propriedade do detentor da patente da vacina. Se for mesmo verdade, isso se aplica em todo o mundo e os vacinados não terão nenhuma direito de estado concedido aos humanos.

A Suprema Corte dos EUA não decidiu que as pessoas vacinadas contra a Covid-19 deixam de ser consideradas humanas e viram propriedade do titular da patente do imunizante, perdendo seus direitos civis, como afirmam as postagens checadas.

O documento citado no vídeo pelo homem que promete explicar o que está acontecendo com “essa picadinha estúpida” integra, na realidade, o resultado de um julgamento relacionado à empresa Myriad Genetics, publicado em junho de 2013, antes da pandemia.

A empresa queria exclusividade sobre os direitos de isolamento e replicação de uma sequência genética para uma pesquisa de cânceres de mama e de ovário e, com base nisso, a Suprema Corte debateu e decidiu a respeito da legalidade de patentes sobre segmentos do genoma humano. Por unanimidade, os ministros entenderam que genes humanos não podem ser patenteados.

Ficou estabelecido que um segmento não poderia ser patenteado por se tratar de produto da natureza, mas que DNAs sintéticos seriam passíveis de registro. Não há nenhuma referência ao patenteamento de humanos, ao fato de que pessoas que receberam esse DNA sintético perderiam seus direitos civis ou referência a vacinas no documento.

A postagem também retoma uma alegação falsa, já desmentida pelo Aos Fatos, de que vacinas seriam capazes de alterar o DNA das pessoas. Nenhuma tecnologia usada em imunizações é capaz de penetrar o núcleo das células e alterar o material genético humano.

Essa peça de desinformação circulou primeiro nos EUA em julho, e foi desmentida por AP, AFP e AAP. Em agosto, um vídeo com as mesmas alegações voltou a circular e foi traduzido para o português. O Projeto Comprova já desmentiu esta postagem.

Referências:

1. NPR
2. Suprema Corte dos Estados Unidos
3. Oxford Academic
4. Aos Fatos
5. CDC


Aos Fatos integra o Third-Party Fact-Checking Partners, o programa
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