É falso que premiê e ministro franceses foram demitidos por suspender uso da hidroxicloroquina

Por Luiz Fernando Menezes

16 de julho de 2020, 17h06


Não é verdade que o primeiro-ministro e o ministro da Saúde da França foram demitidos após suspenderem a permissão de uso da hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). O premiê Édouard Philippe renunciou no início do mês como parte de uma reformulação política no gabinete do presidente Emmanuel Macron. Já o titular da Saúde, Olivier Verán, segue no cargo.

Também não procede a alegação, feita nas peças de desinformação, de que os políticos estariam sendo investigados pela suspensão da hidroxicloroquina. Philippe, Verán e a sua antecessora, Agnés Buzyn, são alvo de procedimento da procuradoria francesa por uma série de denúncias de falta de máscaras e equipamentos em unidades de saúde do país.

Compartilhada principalmente no Facebook, a desinformação foi disseminada também no perfil oficial de Olavo de Carvalho cuja publicação, sozinha, acumulava ao menos 2.600 compartilhamentos até a tarde desta quinta-feira (16). Todas as publicações com alegações semelhantes foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação desta última plataforma (saiba como funciona).


FALSO

Na França o primeiro-ministro e o ministro da Saúde que vetaram a cloroquina perderam os cargos e respondem a processo. No Brasil, xingado de genocida é o presidente que, liberando a cloroquina, salvou milhares de vidas. Esse país é o paraíso da ignorância.

Circulam nas redes sociais alegações de que dois integrantes do governo francês foram exonerados e estariam sob investigação após suspenderem a permissão para o uso de hidroxicloroquina em pacientes com a Covid-19 no país. Nada disso, no entanto, é verdade: o primeiro-ministro renunciou em razão de uma reforma na gestão do presidente Emmanuel Macron, e o titular da Saúde segue no cargo.

O governo francês suspendeu o decreto que permitia o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 no final de maio. A decisão continua em vigor até hoje. Atualmente, segundo o Conselho Superior de Saúde Pública francês, com base em publicações sobre o assunto que apontam efeitos colaterais potencialmente graves relacionados ao uso do medicamento, a hidroxicloroquina só é permitida em estudos clínicos.

O ministro da Saúde da França, o neurologista OIivier Verán, foi nomeado no dia 16 de fevereiro deste ano. Antes dele, o cargo era ocupado Agnés Buzyn, que renunciou para se candidatar à prefeitura de Paris.

Já o primeiro-ministro Édouard Philippe, na verdade, renunciou ao cargo no dia 3 de julho. A saída dele teria a ver com uma tentativa do presidente Emmanuel Macron de remodelar a composição de seu governo com vistas à reeleição. Para seu lugar, foi nomeado Jean Castex.

Em registros da imprensa internacional, Aos Fatos não encontrou menção ao fato de a renúncia de Philippe estar relacionada a algum tipo de veto à hidroxicloroquina.

Também não é verdade que Philippe e Verán respondem a processo por terem suspendido o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Na verdade, o procurador-geral francês, François Molins, anunciou uma investigação sobre a atuação do premier e dos dois últimos ministros da Saúde após o Tribunal de Justiça da República receber 90 denúncias desde março como falta de máscaras e outros equipamentos de saúde e a abstenção do setor público no combate à pandemia, segundo relatos da imprensa europeia.

Uma checagem semelhante foi publicada pela Agência Lupa e Boatos.org.

Referências:

1. UOL
2. L'Express
3. Euro News
4. LégiFrance
5. EBC
6. Conselho Superior de Saúde Pública
7. Governo da França
8. Le Monde
9. Publico
10. DW
11. CNN Brasil