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É falso que Prefeitura de Pelotas usou sirenes para marcar início do lockdown na cidade

Por Luiz Fernando Menezes

12 de agosto de 2020, 17h11

Não é verdade que a Prefeitura de Pelotas (RS) tenha usado sirenes na noite do último sábado (8) para avisar a população sobre o início do lockdown na cidade. Ainda que a administração municipal tenha de fato determinado o início da medida de isolamento naquele dia, os sons de sirene foram tocados por moradores da cidade como parte de uma brincadeira promovida por um humorista. A prefeitura também negou que tenha usado equipamentos semelhantes.

Páginas e perfis pessoais no Twitter e no Facebook compartilharam vídeos do momento em que as sirenes foram tocadas para sugerir que a prefeitura teria adotado uma medida ditatorial (veja aqui). No Facebook, publicações do tipo somavam ao menos 3.400 compartilhamentos nesta quarta-feira (12). Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Circulam nas redes sociais vídeos em que moradores de Pelotas (RS) mostram as ruas do município ao som de sirenes. Segundo as publicações, a prefeitura da cidade teria utilizado esse tipo de equipamento para avisar a população sobre o início do lockdown na cidade na noite do último sábado (8). Mas o som, na verdade, foi uma brincadeira feita pelo humorista Lyon Dias, responsável pela página Pelotas da Depressão. Horas antes do início do lockdown, Dias publicou um vídeo em seu Instagram convidando as pessoas a reproduzirem em volume alto a sirene do filme “Uma noite de crime” às 20h.

Após a repercussão da brincadeira, que acabou sendo compartilhada para atacar a prefeitura, o humorista publicou uma nota em seu Facebook: “Não foi a prefeitura que tocou a sirene. Vocês sabem que não tenho hábito de defender a prefa [sic.]. Mas utilizar essa fake news para realizar ataques... É uma atitude covarde e cretina. Lamentável”.

A Prefeitura de Pelotas, em seu perfil oficial no Twitter, também desmentiu as alegações: “Os órgãos de segurança e de fiscalização da cidade NÃO utilizaram esse tipo de equipamento [sirenes]”.

Na última segunda-feira (10), alguns deputados bolsonaristas, como Carla Zambelli (PSL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) publicaram a peça de desinformação para sugerir que a Prefeitura de Pelotas estaria adotando uma postura fascista e ditatorial para combater a pandemia. Após o desmentido, os dois parlamentares deletaram suas publicações e se retrataram (aqui e aqui).

Lockdown. No dia 6 de agosto, a Prefeitura de Pelotas determinou, via decreto municipal, o lockdown na cidade das 20h do dia 8 às 12h do dia 11. A decisão, que visava aumentar o índice de isolamento social do município, determinou que apenas atividades essenciais e de segurança patrimonial poderiam funcionar na cidade.

O lockdown, no entanto, foi suspenso no dia 9 de agosto por meio de liminar do presidente do TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul), Voltaire de Lima Moraes. Segundo o desembargador, a implementação de medidas rígidas para combater a pandemia não pode ferir o direito constitucional do cidadão de ir e vir.

Até a última terça-feira (11), o município registrava 1.500 casos confirmados de Covid-19 e 41 óbitos. A prefeitura ainda informa que 69 pacientes se encontram internados nos leitos exclusivos para o tratamento da infecção, sendo 27 deles em leitos de UTI (unidade de terapia intensiva).

O Fato ou Fake também desmentiu as peças de desinformação.

Referências:

1. Instagram (olyondias)
2. Facebook (Lyon Dias)
3. Twitter (@PrefPelotas)
4. Diario Popular
5. Twitter (@BolsonaroSP)
6. Facebook (ZambelliOficial)
7. Prefeitura de Pelotas (Fontes 1 e 2)
8. Correio do Povo


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