Não é verdade que a Polícia Federal pediu a prisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes por suposta fraude documental contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Não há registro de ordem similar na imprensa ou em canais oficiais da corporação, do governo ou do STF. Além disso, indícios apontam que a imagem usada pelas publicações é fruto de montagem.
Posts com o conteúdo falso acumulavam ao menos 13 mil interações no Facebook até a tarde desta segunda-feira (6).
A Polícia Federal pede a prisão do Alexandre de Moraes por fraudar documentos falsos contra o Jair Messias Bolsonaro

Publicações nas redes enganam ao afirmar que a Polícia Federal teria pedido a prisão de Moraes por suposta fraude documental contra Bolsonaro. Não há registro de medidas do tipo na imprensa ou em canais oficiais da PF, do governo federal e do STF.
Em nota enviada ao Aos Fatos, a Polícia Federal informou que todas as suas ações e operações são divulgadas no site oficial. A corporação acrescentou ainda que “qualquer informação que circule nas redes sociais que não tenha partido dos nossos canais oficiais de comunicação é de total responsabilidade de quem a divulgou”.
As publicações também compartilham uma imagem que supostamente mostra o ministro sendo levado algemado por policiais. Aos Fatos não conseguiu determinar a origem da foto, mas há indícios de manipulação: a figura de Moraes tem qualidade diferente do restante da cena, além de uma borda branca ao redor de sua silhueta, característica comum em montagens digitais.

As peças de desinformação alegam que a PF teria prendido Moraes para entregá-lo a autoridades dos EUA. Em busca no Court Listener, site que compila movimentações e documentos de ações judiciais que tramitam em tribunais americanos, Aos Fatos não encontrou nenhum registro de decisão contra o ministro do STF.
Em julho de 2025, o governo Trump anunciou sanções com base na Lei Magnitsky contra Moraes, sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Instituto Lex, empresa ligada à família. A medida previa o bloqueio de bens e a proibição de transações com cidadãos e empresas americanas. Todos foram retirados da lista de sancionados em dezembro, sem anúncio posterior de reinclusão.
O caminho da apuração
Aos Fatos realizou buscas na imprensa e em canais oficiais da Polícia Federal, do Supremo Tribunal Federal e do governo, mas não identificou nenhum registro do suposto pedido de prisão. A reportagem também entrou em contato com a PF por email.
Por fim, foram consultadas informações oficiais sobre decisões judiciais e sanções internacionais para verificar a veracidade da alegação sobre a suposta prisão de Moraes nos Estados Unidos.





