É falso que OMS estima que vacinas reduzirão população mundial em 15%

Por Priscila Pacheco

3 de agosto de 2022, 16h14

A OMS (Organização Mundial da Saúde) não estimou que as vacinas reduzirão a população mundial em 15%, como afirmam postagens nas redes sociais (veja aqui). Em resposta ao Aos Fatos, a organização afirmou que jamais fez tal alegação, que ela não foi publicada por fonte confiável e que os benefícios das vacinas superam os riscos. A afirmação falsa tem como base uma fala do analista financeiro David Martin, que propaga outros tipos de desinformação sobre imunizantes.

As peças de desinformação contam com 11 mil visualizações no Telegram e com dezenas de compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (3).


Selo falso

Texto engana ao dizer que vacinas contra Covid-19 vão reduzir população

É falso que a OMS estime que as vacinas vão reduzir a população mundial em 15%. Além de não haver registros de que a entidade tenha apresentado essa estimativa, a OMS ressalta que as vacinas são seguras e benéficas. Em nota ao Aos Fatos, a organização afirmou que não disseminou tal alegação e que os imunizantes contra a Covid-19, destacados no texto desinformativo, são constantemente avaliados para averiguar benefícios e riscos.

Em junho, a entidade ressaltou que todas as vacinas autorizadas apresentavam altos níveis de proteção contra o agravamento da enfermidade e mortes. A eficácia é mantida com dose de reforço para todas as variantes. Um estudo publicado em junho na The Lancet, que usou modelos matemáticos para avaliar o impacto da vacinação entre 8 de dezembro de 2020 e o final de 2021, concluiu que ao menos 19,8 milhões de óbitos foram evitados no período por causa da imunização.

Em março, pesquisadores do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos divulgaram que a taxa de mortalidade por Covid-19 naquele país, entre abril e dezembro de 2021, foi de 7,8 por 100 mil habitantes entre não vacinados, 0,6 por 100 mil entre os que tinham o primeiro esquema vacinal completo e 0,1 por 100 mil entre quem já havia recebido um reforço.

A estimativa de mortes apresentada no texto desinformativo é atribuída a David Martin, analista financeiro que se notabilizou ao difundir desinformação sobre vacinas. No texto enganoso ainda é dito que os imunizantes podem alterar o DNA humano, o que já foi desmentido pelo Aos Fatos.

Outras alegações de Martin foram checadas por agências internacionais. No USA Today, a alegação de que a pandemia foi planejada foi desmentida; no Fact Check, foi contestado um vídeo que afirmava que o vírus Sars-CoV-2 foi patenteado; e a Reuters mostrou que era falsa a denúncia de que os imunizantes não são vacinas, e sim dispositivos que deixam as pessoas doentes. O Aos Fatos não conseguiu contato com David Martin.

Referências:

1. PAHO
2. G1
3. The Lancet
4. Revista da Fapesp
5. CRF-PR
6. Aos Fatos
7. USA Today
8. Fact Check
9. Reuters


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