É falso que OMS disse que Coronavac não foi testada em nenhum lugar do mundo

Por Luiz Fernando Menezes

19 de junho de 2020, 17h50


Não é verdade que a Coronavac, vacina contra o novo coronavírus que tem sido desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e que será testada 9.000 voluntários em São Paulo, não foi testada em nenhum outro lugar no mundo (veja aqui). Segundo peças de desinformação que circulam nas redes, o alerta teria partido da OMS (Organização Mundial da Saúde). No entanto, a própria organização afirma em seu site oficial que a vacina já passou por duas fases de testes e foi administrada em 744 chineses.

O conteúdo enganoso foi publicado por perfis pessoais e páginas bolsonaristas no Facebook, reunindo ao menos 4.000 compartilhamentos até a tarde desta sexta-feira (19). Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação (saiba como funciona).


FALSO

Diferentemente do que afirmam publicações que circulam nas redes, a OMS não admitiu que a Coronavac, vacina chinesa que tem sido desenvolvida contra a Covid-19, não foi testada em nenhum lugar do mundo e que os primeiros a receberem a imunização serão os moradores do estado de São Paulo. Conforme pode ser verificado no próprio site da organização, ela já foi testada em 744 chineses. A apresentação do governo de São Paulo sobre a parceria que possibilitará a testagem no estado também informa que, na primeira fase, 144 voluntários receberam a imunização e, na segunda, outros 600.

Desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, a Coronavac fará a sua terceira fase de testes em parceria com o Instituto Butantan em São Paulo, onde será aplicada em 9.000 voluntários no estado.

O início dessa terceira fase aguarda discussão dos protocolos com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e Comitês de Ética. Nessa testagem serão verificadas a eficácia, a segurança e a imunogenicidade (capacidade de imunização) da população vacinada. Segundo o governo de São Paulo, a estimativa é que, caso obtenha sucesso, o remédio seja fornecido entre o final de 2020 e o início de 2021.

Essa é a segunda informação enganosa sobre a Coronavac checada por Aos Fatos. Na terça-feira (16), foram desmentidas peças de desinformação que diziam que o acordo para a produção da vacina teria sido firmado por João Doria (PSDB-SP) em agosto de 2019, meses antes do início pandemia do novo coronavírus.

A Agência Lupa também desmentiu a peça de desinformação.

Referências:

1. OMS
2. Governo do Estado de São Paulo
3. Aos Fatos