É falso que Nicolás Maduro foi assassinado por militares venezuelanos

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Não é verdade que o ditador Nicolás Maduro foi morto após um golpe militar na Venezuela. O vídeo viral que circula nas redes conta uma história fictícia gerada por IA (inteligência artificial). Em busca na imprensa, nas redes e nos canais oficiais do governo, Aos Fatos verificou que o ditador segue vivo e realizando agendas políticas pelo país.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 20 mil visualizações no Kwai e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (20).

URGENTE! Morre Nicolás Maduro.

Print de post no Kwai mostra ao centro a frase: ‘URGENTE! MORRE NICOLÁS MADURO’. Acima, está uma cena gerada por inteligência artificial que simula Nicolás Maduro morto sobre um sofá. Abaixo, estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — homem branco de cabelos grisalhos, usando um terno azul, camisa branca e gravata branca — e Nicolás Maduro — homem branco de cabelos levemente grisalhos e bigode, que usa um terno preto e uma camisa branca. Ao fundo, estão as bandeiras dos Estados Unidos e da Venezuela.

Um vídeo gerado por IA mente ao afirmar que o ditador Nicolás Maduro foi morto em uma emboscada orquestrada por um general de sua confiança no último sábado (16), após pressão dos Estados Unidos. Maduro está vivo e continua à frente do governo da Venezuela.

Na última terça (19) — três dias depois, portanto, da data mencionada no registro enganoso —, o líder venezuelano realizou uma transmissão ao vivo no YouTube em que apareceu caminhando pelas ruas de Caracas e se encontrando com lideranças locais.

Após visitar o bairro de El Guarataro, o ditador anunciou a reativação de 299 “quadrantes de paz” — milicianos armados que serão instalados em diversas regiões do país para, segundo Maduro, defender a soberania nacional.

As peças de desinformação ainda sugerem que a suposta morte de Maduro seria, na verdade, parte de uma estratégia criada pelo ditador para fugir para o Brasil, já que o presidente Lula (PT) teria decidido abrigá-lo no país. Ainda que Brasil e Venezuela sejam aliados históricos, Lula não reconheceu a vitória de Maduro no último pleito e fez críticas à forma como as eleições foram conduzidas.

Além disso, o vídeo tem características comuns a conteúdos enganosos gerados artificialmente, como uma voz sintética, imagens sobrepostas e hiper-realistas e frases com apelo sensacionalista.

Ofensiva americana. Após anunciar o aumento da recompensa a quem fornecer informações que possam levar à prisão de Maduro, o governo americano começou a enviar tropas em direção à América Latina para supostamente enfrentar cartéis de drogas na região.

Na última terça (19), a porta-voz da gestão Trump, Karoline Leavitt, disse que o governo vai usar “toda a força” contra Maduro, acusado oficialmente de narcoterrorismo durante o primeiro mandato de Trump.

Apesar da escalada da tensão entre os dois países, não há qualquer notícia na imprensa que confirme um suposto ataque direto contra Maduro — realizado por aliados ou pelos EUA.

Esta peça de desinformação também foi verificada pelo Boatos.org.

O caminho da apuração

A reportagem realizou uma busca em veículos de imprensa nacionais e internacionais, além dos canais oficiais do governo venezuelano, para verificar se havia registros da suposta morte de Nicolás Maduro. Também foram consultadas as redes sociais do ditador, onde foi possível encontrar transmissões recentes de agendas públicas. O cruzamento dessas informações demonstrou que não havia qualquer registro que confirmasse o episódio narrado no vídeo.

Em seguida, a equipe analisou o próprio conteúdo que circulava nas redes. Foi identificado que o material apresentava características de geração por inteligência artificial, como trechos de imagens sintéticas.

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