É falso que MST e MTST destruíram 500 casas populares em Pernambuco

Por Marco Faustino

19 de outubro de 2021, 15h05

Não é verdade que integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e doMTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) destruíram 500 casas de conjunto habitacional erguido pelo governo Bolsonaro em Santa Cruz do Capibaribe (PE), como afirmam nas redes (veja aqui). Além de os movimentos terem desmentido a alegação, a PF (Polícia Federal), que investiga o caso, disse que não há indícios de participação de sem-terra ou sem-teto na ocupação.

Esta peça de desinformação acumulava ao menos 2.000 compartilhamentos no Facebook e 17.300 retweets no Twitter nesta terça-feira (19).


MST e MTST destruíram 500 casas populares construídas pelo Governo Bolsonaro no interior de Pernambuco e que seriam entregues à população de baixa renda

Postagens nas redes sociais enganam ao afirmar que MST e MTST destruíram imóveis do Residencial Cruzeiro, um conjunto habitacional em Santa Cruz do Capibaribe (PE). A PF (Polícia Federal) em Caruaru (PE) informou que não há indícios de participação dos dois movimentos sociais na ocupação e na depredação das casas, que começaram a ser construídas em 2017, ainda na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Segundo o delegado Guilherme Figueiredo Silva, responsável pela investigação, os invasores seriam moradores da região, inclusive selecionados para ganhar um dos imóveis. "A depredação das casas ainda está em fase de investigação, mas, de antemão, não há indício de envolvimento desses movimentos sociais [MST e MTST]”, afirmou.

O Residencial Cruzeiro foi invadido em 29 de agosto, e a Justiça determinou a reintegração de posse em 24 de setembro. A principal onda de depredações nos imóveis ocorreu entre 9 e 11 de outubro, após a PF estabelecer prazo para a desocupação.

O coordenador do MTST em Santa Cruz do Capibaribe, Osiel Porfírio, negou a participação do movimento e afirmou ao Aos Fatos que a ocupação foi iniciada por uma mulher que se identifica como Jaci, que nega integrar movimentos sociais ou partidos políticos.

Em entrevista a um canal no YouTube, ela que disse estar envolvida há 14 anos com ocupações, e que planejou a do Residencial Cruzeiro por três meses.

A direção do MST em Pernambuco negou participação na depredação dos imóveis. O grupo, no entanto, disse não ser contrário à ocupação, mas a um conjunto habitacional “abandonado e sem conclusão”.

As obras do Residencial Cruzeiro deveriam ter sido entregues em 2019. A Caixa Econômica Federal, que operacionaliza o programa Minha Casa Minha Vida, informou ao Aos Fatos que, na data da ocupação irregular, as obras no conjunto habitacional estavam 92,55% concluídas. Agora, a entrega está prevista para novembro. Ainda segundo a Caixa, a reintegração de posse foi concluída nesta segunda-feira (18).

A atribuição enganosa da depredação dos imóveis a movimentos como o MST e MTST foi, inclusive, compartilhada pelo presidente Jair Bolsonaro no sábado (17), no Twitter.

Esta peça de desinformação também foi checada por Boatos.org e Lupa.

Referências:

1. Blog Edmar Lyra
2. G1
3. Juristas
4. Merece Destaque (Fontes 1 e 2)
5. YouTube
6. Brasil de Fato
7. Twitter


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