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É falso que Ministério da Cidadania iniciou inscrição para recebimento de benefício de R$ 350

Por Marco Faustino

11 de março de 2021, 18h27

Mensagens compartilhadas principalmente no WhatsApp enganam ao dizer que o Ministério da Cidadania iniciou a inscrição para o recebimento de até R$ 350 por família por meio de um programa chamado Renda Cidadã Emergencial (veja aqui). Além de não haver nenhum programa em âmbito nacional com esse nome, o ministério desmentiu a informação. O link que aparece nas mensagens para que o usuário consulte se tem direito ao falso benefício também foi apontado como potencialmente malicioso por ferramenta de análise de segurança digital.

Os pedidos de checagem desta peça de desinformação foram enviados por leitores ao Aos Fatos pelo WhatsApp (acesse para receber as checagens). Devido à natureza da rede social, não é possível estimar o alcance do conteúdo. No Facebook, posts semelhantes foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


As inscrições para o Programa Renda Cidadã Emergencial já estão disponíveis. O auxílio pode chegar a R$ 350 por família cadastrada. Consulte se você tem direito ao benefício

Não é verdade que o Ministério da Cidadania deu início a inscrições para o recebimento de até R$ 350 por família referente a um programa chamado Renda Cidadã Emergencial. As mensagens que circulam no WhatsApp com a informação enganosa compartilham um link por meio do qual as pessoas poderiam consultar se têm direito ao benefício. No entanto, o programa não existe, e o link tem características de golpe de roubo de dados pessoais.

O Ministério da Cidadania desmentiu a peça de desinformação em seus perfis oficiais nas redes (confira aqui, aqui e aqui), dizendo que o link é falso. No desmentido é informado que os detalhes do novo auxílio emergencial ainda estão sendo finalizados pela pasta.

Por meio de mecanismos de busca e do site do Ministério da Cidadania, o Aos Fatos verificou que não há qualquer programa chamado Renda Cidadã Emergencial em âmbito federal. Nos últimos anos houve apenas iniciativas estaduais homônimas, a exemplo de um programa do governo do Amapá.

Em dezembro de 2019, ao anunciar o pagamento naquele ano de um 13º aos beneficiários do Bolsa Família, o presidente Jair Bolsonaro disse que iria reformulá-lo, mudando o nome para Renda Brasil. Em 2020, após meses fora da pauta do governo, a proposta voltou a ser discutida e passou a ser chamada de Renda Cidadã, mas até hoje ela não saiu do papel.

Auxílio emergencial. Já a continuidade do benefício pago pelo governo federal devido à pandemia de Covid-19 ainda depende da votação da chamada PEC Emergencial (Proposta de emenda à Constituição 186/19). A medida foi aprovada na madrugada desta quinta-feira em primeiro turno e ainda precisa passar por uma segunda votação.

A PEC autoriza o governo gastar até R$ 44 bilhões com uma nova rodada do auxílio emergencial sem precisar respeitar as regras fiscais, como corte de outros gastos para encaixar essa despesa no Orçamento. Na segunda-feira (8), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que, considerando esse montante, o benefício deve ser pago de março a junho com valor entre R$ 175 e R$ 375.

LINK MALICIOSO

O site difundido com a peça de desinformação foi apontado como potencialmente malicioso pela ferramenta de verificação do dfndrLab, que o classificou como potencialmente perigoso. Segundo a ferramenta, o endereço possui características de golpes de roubos de dados e informações pessoais.

Mensagens no WhatsApp que trazem promessas de benefícios, divulgam sorteios ou oferecem brindes como brinquedos, cestas básicas e ovos de Páscoa e pedem para o usuário fazer algum tipo de cadastro em um link são golpes recorrentes. Muitas vezes, o endereço até se parece com o de uma empresa conhecida, mas direciona o usuário a uma página falsa.

Essa fraude, conhecida como phishing, induz a pessoa a fornecer dados pessoais e financeiros ou a instalar códigos e aplicativos no celular ou no computador com o potencial de coletar informações do equipamento.

Mesmo que o usuário não forneça dados que levem diretamente a um prejuízo financeiro, como número de cartão de crédito, apenas repassar informações como nome, telefone e nome dos pais já possibilita a fraude. Isso porque elas permitem que o estelionatário se passe pelo usuário em outro site e responda perguntas secretas para redefinir senhas, por exemplo.

Em 2019, o Aos Fatos mostrou como não cair em golpes nas redes sociais e, em dezembro de 2020, deu dicas especificamente sobre o WhatsApp.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Boatos.org.

Referências:

1. Ministério da Cidadania (Fontes 1, 2, 3 e 4)
2. Google (Fontes 1 e 2)
3. Governo do Amapá
4. UOL
5. BBC
6. Jornal Contábil
7. Correio Braziliense
8. Câmara dos Deputados
9. Valor Investe
10. Estadão
11. dfndrLab
12. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)
13. Boatos.org

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