É falso que máscaras importadas da China estão infectadas com o novo coronavírus

Por Luiz Fernando Menezes

24 de abril de 2020, 14h55


Não é verdade que máscaras cirúrgicas chinesas importadas pelo Ministério da Saúde estão infectadas com o novo coronavírus, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). A desinformação foi negada pela assessoria da pasta e contraria as evidências de que o vírus não sobrevive por vários dias em superfícies, segundo autoridades sanitárias e especialista consultados por Aos Fatos. Além disso, os equipamentos foram comprados para profissionais de saúde, não para a população em geral.

A informação falsa passou a circular nesta semana no Facebook, onde reunia ao menos 20 mil compartilhamentos até a tarde desta sexta-feira (24). Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona). O conteúdo também foi sugerido para checagem por leitores no WhatsApp (inscreva-se aqui).


FALSO

URGENTE!!! Máscaras contaminadas serão distribuídas com intenção do plano do Comunismo!!! Brasil por favor não use máscaras distribuídas pelas prefeituras. Compre ou faça a sua!!! Houve denúncias de máscaras compradas por Mandetta na China e essas máscaras estão contaminadas. SOS.

Uma mensagem que circula nas redes sociais orienta a população a não usar máscaras cirúrgicas distribuídas pelas prefeituras, porque foram importadas da China pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) e estariam contaminadas pelo novo coronavírus. O Ministério da Saúde negou que o material adquirido esteja contaminado, e as evidências até agora apontam que o vírus não sobrevive por muito tempo em superfícies.

Em nota enviada ao Aos Fatos, a pasta disse que “não há nenhuma evidência que produtos enviados da China para o Brasil tragam o novo coronavírus”. O ministério ressaltou, ainda, que o longo tempo de viagem entre os países já seria suficiente para matar o vírus, caso as máscaras tivessem de fato sido contaminadas na origem.

Isso aconteceria porque os estudos publicados até o momento mostram que o novo coronavírus não sobrevive por longos períodos em superfícies inanimadas. Em artigo publicado no The New England Journal of Medicine no dia 17 de março, pesquisadores apontaram que ele pode resistir por até 72 horas em superfícies lisas, como plástico e aço inoxidável.

Essa estimativa, porém, foi feita com experimentos em laboratório e o tempo de vida em materiais como o de máscaras cirúrgicas pode ser ainda menor. Segundo o pesquisador do Instituto de Química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Gildo Girotto, “considerando as máscaras como superfícies porosas e, ainda, as condições de armazenagem, seria impossível que o vírus sobrevivesse” à viagem entre Brasil e China.

O CDC (Center for Disease Control, órgão do governo americano) também afirma que não há evidências que comprovem a transmissão de Covid-19 associada à mercadoria importada. “Embora o vírus possa sobreviver por um curto período em algumas superfícies, é improvável que ele se espalhe a partir de produtos ou embalagens enviados por um período de dias ou semanas à temperatura ambiente”, afirma o órgão.

Por fim, a peça de desinformação engana ao afirmar que as máscaras compradas pelo ministério destinam-se à população em geral. Conforme consta em nota da pasta publicada no dia 8 de abril, foram importadas 240 milhões de máscaras N95 para garantir a proteção de profissionais de saúde no atendimento a pacientes de Covid-19.

Referências:

1. Aos Fatos
2. The New England Journal of Medicine
3. CDC
4. Ministério da Saúde


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