É falso que Lula pretende criar Ministério da Verdade e controlar gastos da população

Por Luiz Fernando Menezes

26 de setembro de 2022, 16h46

Não é verdade que o plano de governo registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo ex-presidente e candidato ao cargo pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, propõe a criação de um Ministério da Verdade, o controle de gastos e do consumo da população, o fim do combate ao tráfico de drogas e estabelecer a “ideologia de gênero” nas escolas, como afirmam postagens (veja aqui). Das oito propostas listadas nas peças desinformativas, apenas a revogação do teto de gastos consta nas diretrizes do programa de governo da chapa liderada por Lula.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam centenas de compartilhamentos no Facebook e no Twitter nesta segunda-feira (26) e também circulam no WhatsApp, no qual não é possível estimar o alcance (fale com a Fátima).


Selo falso

Já leram o plano de governo do Lula registrado no TSE?

Lista traz falsas promessas de governo de Lula

O plano de governo registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo ex-presidente e candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, não prevê a criação de um Ministério da Verdade, o controle dos gastos da população, o controle do consumo ou a implementação da “ideologia de gênero”, como afirmam posts nas redes. Embora a campanha de Lula não tenha divulgado um texto final de plano de governo até a publicação desta checagem, as diretrizes do programa de governo da chapa do petista não incluem sete das oito medidas colocadas nas postagens.

  1. A primeira proposta colocada na lista é uma distorção do item 34 das diretrizes do documento do PT, que afirma que “o atual modelo bélico de combate ao tráfico será substituído por estratégias de enfrentamento e desarticulação das organizações criminosas, baseadas em conhecimento e informação, com o fortalecimento da investigação e da inteligência”. Não há menção ao “fim do combate ostensivo ao tráfico”.
  2. “ideologia de gênero”, segundo item citado na peça desinformativa, é uma teoria conspiratória cujo objetivo é impedir debates sobre igualdade de gênero e sexualidade nas escolas, e não aparece no documento registrado no TSE.
  3. O terceiro item é o único que de fato consta nas diretrizes petistas, no item 51. “Vamos recolocar os pobres e os trabalhadores no orçamento. Para isso, é preciso revogar o teto de gastos e rever o atual regime fiscal brasileiro, atualmente disfuncional e sem credibilidade”, diz o texto. A equipe da campanha de Lula defende a aprovação de um novo regime fiscal.
  4. A quarta proposta, que seria a criação de um “Ministério da Verdade”, não consta no documento. No item 9, o programa afirma que a chapa tem o compromisso de garantir “o direito à vida, à liberdade, à memória e à verdade”, mas não propõe uma pasta para isso.
  5. Também não há menções ao controle das redes sociais, colocada no quinto item da peça desinformativa.
  6. Já os bancos públicos aparecem no item 60, com uma proposta de usá-los para renegociar dívidas, e no item 81, com uma proposta de fortalecimento dessas instituições financeiras para o desenvolvimento econômico, mas não há citação a mecanismos de “controle (…) com influência direta”, como diz a peça desinformativa.
  7. “Controle de gastos da população” não aparece em nenhum momento do documento. A peça provavelmente faz referência a uma declaração do ex-presidente feita em abril deste ano. Durante um evento em São Paulo, Lula disse que a classe média brasileira “ostenta um padrão de vida acima do necessário”. A campanha, no entanto, negou que o governo pretenda limitar as compras dos brasileiros.
  8. Por fim, o item que fala em “taxar em cima do consumo” é uma interpretação oposta ao que é colocado no item 53, em que é proposta uma reforma para reduzir a tributação do consumo.

Contatada pelo Aos Fatos, a assessoria de imprensa do petista disse que “nada dessa fake news corresponde ao plano real de governo da chapa Lula–Alckmin”.

Referências:

1. TSE
2. Aos Fatos
3. O Tempo
4. Lula.com.br


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