Não é verdade que o presidente Lula (PT) deu uma ordem à Marinha para preparar um porta-aviões, mas foi lembrado por oficiais de que o Brasil não tem esse tipo de embarcação. A Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência negou que o petista tenha dado qualquer determinação similar. Também não há registros do pedido na imprensa ou em canais oficiais.
Publicações com o conteúdo falso acumulavam cerca de 220 mil curtidas no Instagram, 80 mil visualizações no X, 15 mil compartilhamentos no Facebook e 20 mil visualizações no TikTok até a tarde desta segunda-feira (12).
LULA DÁ ORDEM À MARINHA PARA PREPARAR PORTA-AVIÕES, MAS É LEMBRADO QUE O BRASIL NÃO TEM

Publicações enganam ao afirmar que Lula teria dado uma ordem à Marinha para preparar um porta-aviões e então sido alertado de que o Brasil não possui uma embarcação do tipo. Não há qualquer registro da fala na imprensa e nos canais oficiais do governo e das Forças Armadas. A Secom também desmentiu a alegação em nota enviada ao Aos Fatos.
É fato, porém, que o país não possui um porta-aviões. Atualmente, a Marinha conta apenas com o modelo A-140 NAM Atlântico, um porta-helicópteros de origem britânica.
Em entrevista a um canal no YouTube no início de 2024 (veja abaixo), o comandante da força, o almirante Marcos Sampaio Olsen, afirmou que Lula teria expressado a ele o desejo de ter uma embarcação do tipo operando novamente, como em seu primeiro mandato.
O militar, porém, teria respondido que a aquisição não seria viável, pois não haveria meios de operar o porta-aviões. “Não tenho recursos no custeio para combustível, para manutenção”, afirmou Olsen na entrevista.
Em busca nas redes e na imprensa, Aos Fatos não encontrou registros de discursos e entrevistas em que Lula tenha expressado publicamente a intenção de adquirir um porta-aviões.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou registros da suposta declaração do presidente Lula em discursos, entrevistas, comunicados oficiais e na cobertura da imprensa, sem encontrar qualquer evidência. Também foram analisadas declarações públicas do comandante da Marinha, o almirante Marcos Sampaio Olsen.
A reportagem entrou então em contato com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que negou oficialmente a existência de qualquer ordem relacionada.




