É falso que Lula foi apontado como mandante do esquema de descontos ilegais do INSS

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Não é verdade que o STF (Supremo Tribunal Federal) apontou o presidente Lula (PT) como o mandante por trás do esquema de descontos ilegais do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Procurada por Aos Fatos, a assessoria da corte informou que não há decisão proferida em relação ao tema. Responsáveis pela investigação, nem a PF (Polícia Federal) nem a PGR (Procuradoria-Geral da República) se posicionaram nesse sentido.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam cerca de 26 mil curtidas no Threads, mil compartilhamentos no Facebook e centenas de visualizações no TikTok até a tarde desta terça-feira (18).

STF descobre que Lula foi o mandante do rombo do INSS a idosos

A imagem está dividida em duas partes verticais. À esquerda está o presidente Lula, um homem de barba branca e cabelo curto grisalho, usando terno escuro, camisa clara e gravata vermelha. Ao fundo, vê-se parte de uma bandeira com as cores verde e amarela. À direita está o ministro do STF André Mendonça, um homem de cabelo curto grisalho, vestindo toga preta e camisa clara com gravata. O fundo é neutro, em tom claro. Na parte inferior, ocupando quase a largura completa da da imagem, há um bloco de texto em letras grandes e pretas sobre fundo branco onde lê-se ‘STF descobre que Lula foi o mandante do rombo do INSS a idosos’.

Publicações enganam ao afirmar que o STF teria descoberto que o presidente Lula foi o mandante da fraude envolvendo descontos indevidos em benefícios pagos pelo INSS. Procurada por Aos Fatos, a corte informou que não há decisões sobre o tema. A PF e a PGR, que investigam o caso, também não realizaram nenhum anúncio com este teor.

Na última quinta-feira (13), a Polícia Federal deflagrou uma nova etapa da Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de fraudes no INSS. A pedido da PF e com parecer favorável da PGR, o ministro André Mendonça, do STF, decretou a prisão preventiva de dez pessoas. Entre eles está Alessandro Stefanutto (PDT), ex-presidente do INSS no governo Lula.

Mendonça também determinou o uso de tornozeleira eletrônica por outros sete investigados — sendo um deles o ex-ministro da Previdência José Carlos de Oliveira, que comandou a autarquia durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

O ministro do STF afirmou haver indícios de que Oliveira e Stefanutto, em períodos distintos, contribuíram para o funcionamento e a proteção do esquema. De acordo com a PF e a CGU (Controladoria-Geral da União), as fraudes envolvendo sindicatos e associações podem ter causado prejuízo superior a R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024.

O caminho da apuração

A reportagem iniciou a apuração buscando registros oficiais sobre decisões do STF relacionadas ao caso. Foram consultados o site da corte, o sistema de acompanhamento processual e comunicados recentes. Em paralelo, a equipe realizou pesquisas para verificar se havia anúncios ou declarações públicas sobre o tema publicadas em veículos de imprensa.

Em seguida, Aos Fatos contatou a assessoria do STF para confirmar se havia decisão ou manifestação referente à suposta atribuição de responsabilidade ao presidente Lula. A reportagem também cruzou informações com dados divulgados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República sobre a operação em curso que investiga fraudes no INSS.

Referências

  1. Governo federal
  2. STF

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