É falso que a Lenovo comprou a Positivo, fabricante de urnas das eleições de 2022

Por Luiz Fernando Menezes

29 de julho de 2020, 16h56


Publicações que circulam nas redes sociais enganam ao afirmar que a Positivo Tecnologia, que venceu licitação para produzir urnas eletrônicas das eleições de 2022, foi vendida para a multinacional chinesa Lenovo (veja aqui). Em 2008, a companhia chegou a fazer uma oferta para a compra da fabricante, mas a proposta foi recusada. Hoje, 43,8% das ações da Positivo pertencem a 11 membros da família fundadora da empresa e 55,4% dos títulos estão em negociação na bolsa de valores.

A peça de desinformação foi compartilhada originalmente no Twitter pelo perfil @AlanLopesRio, que afirma ser criador do Movimento Direita Inteligente, na última segunda-feira (27). Um print da publicação passou então a circular no Facebook e acumulava ao menos 7.000 compartilhamentos na tarde desta quarta-feira (29). O conteúdo foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

ATENÇÃO PARA O GOLPE: O TSE informou que a empresa Positivo, venceu a licitação para compra de novas urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições 2022. O valor do contrato é de R$ 799 milhões. O que muitos não sabem é que a Positivo foi vendida para a Chinesa, Lenovo.

É verdade que a Positivo Tecnologia venceu uma licitação de R$ 799 milhões para fornecer urnas eletrônicas que serão usadas nas eleições de 2022. Mas não procede que a empresa tenha sido vendida para a multinacional chinesa Lenovo, como afirmam publicações nas redes sociais. Uma oferta feita pela companhia em 2008 foi recusada pela fabricante de eletrônicos brasileira.

Conforme pode ser visto no site da B3, bolsa de valores brasileira, 55,4% das ações da Positivo estão em circulação no mercado, ou seja, não pertencem aos controladores. Já 43,8% das ações são divididas entre 11 herdeiros dos fundadores da empresa. O maior acionista é Hélio Bruck Rotenberg, atual presidente da companhia (9,4% das ações). Os outros 0,8% correspondem a ações destinadas à tesouraria.

Em 2008, a Lenovo ofereceu R$ 1,6 bilhão para a compra da fabricante brasileira, mas a proposta foi recusada. Logo depois, a multinacional chinesa informou que adiaria as negociações por causa da crise financeira mundial. Em 2010, a agência de notícias Xinhua chegou a confirmar a aquisição, mas a Positivo negou a compra.

Ao Aos Fatos, a empresa negou nesta quarta-feira (29) que tenha sido comprada pela Lenovo: “não existe qualquer negociação em andamento neste momento”.

Licitação. No dia 23 de julho, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informou que a Positivo venceu o pregão para o fornecimento de até 180 mil urnas eletrônicas por R$ 799,9 milhões. Os equipamentos serão usados nas eleições de 2022.

A licitação foi aberta em julho de 2019 e só recebeu duas propostas: uma da Positivo, outra do Consórcio Smartmatic. Em janeiro, as participantes apresentaram protótipos que foram submetidos a testes, e a Positivo obteve resultados melhores.

A Agência Lupa também desmentiu a peça de desinformação.

Aos Fatos entrou em contato com o Movimento Direita Inteligente por meio do Facebook, mas não recebeu resposta até a publicação desta checagem.

Referências:

1. B3
2. Folha de S.Paulo (Fontes 1, 2 e 3)
3. TSE (Fontes 1 e 2)