É falso que Jaques Wagner disse que professores deveriam trabalhar por gosto, não por dinheiro

Por Marco Faustino

16 de agosto de 2021, 16h24

Não é verdade que o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse a professores em greve que “quem quiser dar aula, que faça isso por gosto, e não por salário. E, se quiser ganhar melhor, peça demissão e vá para o ensino privado”, como alegam nas redes (veja aqui). Além de não existir registro de que o petista disse algo semelhante, a declaração circula na internet desde 2011 e já foi atribuída ao senador Cid Gomes (PDT-CE) e ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

O conteúdo enganoso somava ao menos 6.500 compartilhamentos no Facebook nesta segunda-feira (16) e foi sinalizado como FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (veja como funciona).


Postagens atribuem ao senador Jaques Wagner (PT-BA) a declaração “Quem quiser dar aula, que faça isso por gosto e não por salário. Se quiser ganhar melhor, peça demissão e vá para o ensino privado”, mas não há qualquer registro de que ele tenha dito isso, como Aos Fatos verificou em buscas nas redes sociais e na imprensa.

Esta declaração surgiu em 2011 atribuída ao hoje senador e então governador do Ceará Cid Gomes (PDT-CE), mas a autoria de fato nunca ficou comprovada. Na época, reportagens publicadas por O Povo e pelo Último Segundo noticiaram que a fala teria sido dita em um evento em Natal (RN) em alusão a uma greve na educação estadual cearense, mas os próprios veículos indicavam que não havia provas de que ele havia dito isso.

Em 2015, após ser nomeado como ministro da Educação do governo de Dilma Rousseff (PT), Gomes afirmou que sua frase foi distorcida. “Me mostre onde foi que eu falei isso, um registro de que eu falei isso. Eu não disse isso. O que eu disse é que qualquer servidor público, seja ele vereador, governador, médico, deputado, professor, antes de qualquer coisa precisa ter vocação. É um espaço que você tem por natureza a posição de sacrifício pessoal. Claro que você tem que ter boa remuneração”, disse na época.

A declaração também já foi atribuída ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), em 2018, tendo sido desmentida pela assessoria do tucano, como mostraram checagens feitas naquele ano por AFP Checamos, Boatos.org, Estadão Verifica e Lupa.

Referências:

1. O Povo (Fontes 1 e 2)
2. Archive.is
3. G1

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