É falso que hospital de campanha da Unicamp foi desmontado por falta de pacientes

Por Luiz Fernando Menezes

12 de maio de 2020, 14h16


Não é verdade que o hospital de campanha instalado na Unicamp (Universidade de Campinas) para atender pacientes com Covid-19 foi desmontado por falta de demanda, como sustenta um vídeo que circula nas redes sociais (veja aqui). A instalação citada na gravação foi transferida para outro local na mesma cidade, mais próximo do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti.

Em nota enviada ao Aos Fatos, a assessoria do HC (Hospital das Clínicas) da Unicamp também desmentiu que não houve demanda de pacientes e informou que, em 40 dias de atividade, o hospital de campanha de pronto atendimento recebeu 546 pessoas.

O vídeo enganoso reunia ao menos 6.000 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (12) e foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Circula nas redes sociais um vídeo em que um homem mostra um hospital de campanha destinado a pacientes com Covid-19 e localizado em frente ao HC (Hospital das Clínicas) da Unicamp sendo desmontado. Segundo ele, os atendimentos foram interrompidos por falta de demanda, o que provaria que a pandemia é um “jogo político”. Na verdade, a instalação médica foi transferida para outra parte da cidade, não encerrada.

Segundo informou a assessoria do HC da Unicamp ao Aos Fatos, a estrutura que o homem se refere no vídeo pertencia a um hospital de campanha de pronto atendimento encampado pela ONG EDS (Expedicionários da Saúde) e que foi desmontado em 3 de maio.

Os serviços, porém, não foram encerrados. No dia 6 de maio, a EDS passou a fazer o atendimento no hospital de campanha que eles construíram no ginásio do centro de aprendizagem Patrulheiros Campinas, na região metropolitana da cidade, nas proximidades do hospital municipal Dr. Mário Gatti. Segundo a ONG, a instalação conta com com capacidade inicial de 36 leitos de cuidados semi-intensivos e possibilidade de expansão para até 108 leitos.

De acordo com a assessoria do HC, “a ONG desde o início comunicou que poderia migrar para apoio a outros lugares conforme o andamento da pandemia”. O G1, inclusive, já tinha noticiado a construção da nova instalação do hospital de campanha em 21 de abril.

Ainda segundo a assessoria do HC, também não é verdade que a instalação agora desmontada não recebeu ninguém. Em 40 dias de operação, foram atendidos 546 pacientes, 40 deles identificados como casos suspeitos e encaminhados à emergência do hospital universitário.

Autoria. O homem que aparece nas imagens é Raphael André Leite. O vídeo foi publicado, originalmente, em seu perfil pessoal no Facebook no dia 5 de maio. No dia 8, Leite voltou a aparecer na rede social para insistir na desinformação. Mais uma vez, ele aparece na frente do HC da Unicamp para mostrar que o local está vazio e voltar a afirmar que a tenda teria sido desmontada porque “tinha muito gasto” e não havia demanda.

Em contato com o Aos Fatos, Leite afirmou que não tinha informação sobre o real motivo da desmontagem das tendas. "Apenas fiquei indignado por presenciar o ocorrido sendo que a informação é de caos no sistema de saúde. Acredito sim que estamos passando por uma crise na saúde, por uma pandemia, mas que não acredito nos números que estão nos passando", disse.

O Fato ou Fake também desmentiu a peça de desinformação.

Falsas suspeitas sobre a lotação de hospitais de campanha de São Paulo já apareceram em outras peças de desinformação checadas por Aos Fatos. No começo de abril, um outro homem gravou um vídeo na frente do estádio do Pacaembu para dizer que a unidade provisória instalada no local estava vazia. Duas semanas depois, uma foto de um hospital de campanha recém-inaugurado em Santo André (SP) passou a ser compartilhada nas redes para dizer que a unidade não havia recebido pacientes.

Referências:

1. EDS
2. G1
3. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)


Esta checagem foi atualizada às 15h21 do dia 12 de maio de 2020 para acrescentar a resposta do autor do vídeo.

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