É falso que hospitais franceses usaram manequins para fingir que estão lotados de pacientes com Covid-19

Por Priscila Pacheco

17 de dezembro de 2021, 17h58

Não é verdade que hospitais da França tenham usado manequins para fingir que estão lotados de pacientes que contraíram a variante ômicron do novo coronavírus, como alegam postagens nas redes sociais (veja aqui). A publicação é uma montagem que insere legendas da TV francesa sobre a imagem de um treinamento com um boneco em uma unidade de saúde no Canadá, em abril de 2020.

A imagem surgiu primeiro no Twitter como sátira, mas logo passou a ser compartilhada nas redes sociais como se fosse real. No Facebook, versões da peça desinformativa reuniam ao menos centenas de compartilhamentos nesta sexta-feira (17).


Selo falso

Postagens nas redes sociais enganam ao dizer que hospitais na França estão usando manequins para simular a lotação de leitos com pessoas contaminadas pela variante ômicron do novo coronavírus. Não há registro de ter havido fraude semelhante na França, e a imagem que ilustra o texto é de uma reportagem da CBC, emissora canadense de rádio e televisão, do dia 17 de abril de 2020.

As cenas mostram o treinamento da equipe do Instituto Universitário de Cardiologia e Pneumologia de Quebec para receber pacientes com Covid-19. É possível observar o posicionamento das duas profissionais de saúde com avental azul claro e o manequim coberto com lençol branco e algumas listas após 2:30 minutos da reportagem.

Os demais elementos gráficos da imagem que aparece nas postagens — a legenda que aparece como se fosse relativa à reportagem, a marca da emissora e a hora — foram retirados de um vídeo do canal francês BFMTV. Na ocasião, comentaristas da emissora falaram sobre o diagnóstico positivo para Covid-19 do primeiro-ministro francês Jean Castex. O programa foi transmitido no dia 22 de novembro. A ômicron foi classificada como variante de preocupação quatro dias depois.

Em buscas sobre notícias relacionadas à ômicron publicadas pela BFMTV também não foram encontradas informações sobre fraudes envolvendo manequins em hospitais, nem registros de “saturação” de leitos na França. Aos Fatos também fez pesquisas em diversos jornais franceses, como Le Monde, Le Figaro, Le Parisien e Libération.

Origem. A postagem mais antiga da montagem encontrada por Aos Fatos é do dia 10 de dezembro e está disponível no Twitter. Entretanto, o autor não cita o nome da variante ômicron.

“Apesar dos repetidos esforços das equipes especializadas, um novo modelo não pôde ser ressuscitado esta manhã. Além disso, um filho da puta picou seu braço”, diz na postagem enganosa. Ao ser criticado por outro usuário da rede, o usuário disse que “obviamente” é uma montagem e brincadeira.

Referências:

1. CBC
2. BFMTV
3. OMS
4. Google (Fontes 1, 2, 3 e 4)


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