Não é verdade que um novo vírus tenha matado 7.000 pessoas nos EUA e esteja lotando hospitais no Brasil, a exemplo do Odilon Behrens, em Belo Horizonte. O boato foi desmentido pelo Ministério da Saúde e pela prefeitura mineira. O número de mortes nos EUA está relacionado a casos de gripe, entre eles a variante K, causada por um patógeno que circula no Brasil desde dezembro e que não provocou aumento de casos e óbitos.
As peças enganosas acumulavam 96 mil curtidas no Instagram até a tarde desta quarta-feira (11).
O Hospital Odilon Behrens está lotado, cheio de casos da nova doença e a direção do hospital proibiu de divulgar essas notícias por causa do carnaval. Então, as notícias sobre o espalhamento dessa doença em Belo Horizonte, pelo país inteiro, está está sendo abafado. Aqui nos Estados Unidos tem mais de 7.000 mortes.

Posts nas redes mentem ao afirmar que hospitais pelo Brasil como o Odilon Behrens, em Belo Horizonte, estão lotados de casos de um vírus apelidado de “nova Covid”. O boato foi desmentido pelo Ministério da Saúde e pela prefeitura da capital mineira, responsável pela gestão do estabelecimento.
O Ministério da Saúde afirmou que não procede a informação de que hospitais brasileiros estariam sendo impactados por uma suposta doença originada no exterior. “Não há registro de detecção de novos vírus no Brasil nem nos EUA. O Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância mantém monitoramento contínuo de eventos de saúde pública no Brasil e no mundo”, diz a pasta.
A prefeitura de Belo Horizonte também afirmou que não procede a informação sobre registros de casos suspeitos ou confirmados por um “novo vírus” na capital, nem aumento atípico de internações por doenças infecciosas no Hospital Metropolitano Odilon Behrens.
Por meio de busca na imprensa e em painéis de monitoramento do Ministério da Saúde e da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), Aos Fatos também não encontrou registros de que hospitais brasileiros estariam lotados de pacientes infectados por um novo vírus.
As peças de desinformação alegam que a nova doença teria causado 7.000 mortes nos EUA. O número está relacionado ao total de óbitos causados pela gripe entre outubro e o início de janeiro.
Entre as variantes da doença, se destaca a gripe K, tipo de influenza A (H3N2) que tem afetado principalmente crianças entre zero e quatro anos. O vírus causa sintomas semelhantes aos da gripe comum, afetando as vias respiratórias. Não há evidências de que a gripe K seja mais grave que outras variantes da influenza.
Estimativas atualizadas divulgadas pelo CDC (Center for Disease Control, órgão de saúde americano) apontam que a atual temporada de gripe no país já causou 12 mil mortes e 22 milhões de casos. A maior parte das hospitalizações está concentrada nas faixas etárias de mais de 65 anos e de zero a quatro anos.
O Ministério da Saúde informou, no entanto, que não há, até o momento, indícios de surto de influenza A (H3) associado à variante K no Brasil. Entre outubro e janeiro deste ano, segundo a pasta, foram registrados casos pontuais da doença.
Os primeiros casos da gripe K no Brasil foram detectados em dezembro. O Painel de Síndrome Respiratória Aguda do Ministério da Saúde mostra que, em todo o país, foram registrados em janeiro 79 casos de H3N2 e sete mortes. Não há informações específicas sobre a variante K.
Dados do painel indicam que não houve aumento de casos de infecções provocadas por vírus respiratórios desde o fim do ano passado. Além disso, no Brasil, a temporada de gripe ocorre nos meses de inverno.
A Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) também monitora casos de vírus respiratórios em todo o continente americano e não detectou qualquer aumento recente de casos de gripe no Brasil.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou esclarecimentos junto à Prefeitura de Belo Horizonte, responsável pela gestão do Hospital Odilon Behrens.
Em seguida, a reportagem verificou os dados disponíveis no Painel de Síndrome Respiratória Aguda do Ministério da Saúde e organizou as informações sobre casos e mortes por influenza A (H3N2).
Também consideramos os dados de monitoramento divulgados por órgãos de saúde internacionais para contextualizar os números citados nas publicações.




