Não é verdade que o governo Lula apreendeu 30 mil cabeças de gado e as enviou em uma embarcação para Cuba, como alegam peças de desinformação nas redes. O vídeo compartilhado pelas publicações falsas mostra um telejornal gerado por IA (inteligência artificial). Não há registros da suposta apreensão em veículos de imprensa, canais oficiais do governo brasileiro ou órgãos internacionais.
Os conteúdos enganosos acumulavam cerca de 800 mil visualizações no TikTok, além de centenas de compartilhamentos no Facebook e centenas de curtidas no Instagram até a tarde desta quinta-feira (6).
Cerca de trinta mil cabeças de gado foram apreendidas pelo governo de forma ilegal e já começaram a ser embarcadas. Os animais devem seguir em navio para Cuba em um acordo que, segundo fontes, é mantido em sigilo.

Foi gerada por inteligência artificial a reportagem de um telejornal fictício que alega que o governo Lula teria apreendido cerca de 30 mil cabeças de gado e as levado para Cuba. As publicações possuem o selo do Sora 2, nova ferramenta da OpenAI capaz de gerar vídeos ultrarrealistas.
Aos Fatos não encontrou registros da suposta apreensão em canais oficiais do governo brasileiro, em órgãos internacionais, em veículos de imprensa ou em sites de associações de pecuaristas.
Além da presença do logo do Sora 2, há uma série de indícios que apontam que o conteúdo foi gerado por ferramentas de IA:
- As iniciais SVA, que aparecem escritas no casco da embarcação em um primeiro momento, mais tarde são substituídas por outras letras;
- O formato do navio e o local em que ele está estacionado também mudam entre um frame e outro;
- Há uma falta de sincronização entre a fala e o padrão de movimento da boca dos supostos repórteres e apresentadores.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica.
O caminho da apuração
Aos Fatos analisou a gravação e, após levantados indícios como a presença da marca d’água da ferramenta Sora 2 e distorções na imagem, concluiu que se tratava de um conteúdo gerado por IA.
Também buscamos informações sobre a suposta apreensão nos canais do governo brasileiro, órgãos internacionais, associações de pecuaristas e na imprensa, mas não encontramos registros de operação similar.




