É falso que FMI destacou Brasil como exemplo recente de controle da inflação

Por Luiz Fernando Menezes

22 de outubro de 2021, 12h11

Não é verdade que o FMI (Fundo Monetário Internacional) destacou em relatório o controle da inflação no governo Bolsonaro, como alegam nas redes (veja aqui). O documento citado elogia a política monetária que estabilizou preços entre 2002 e 2005, nos mandatos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A publicação original e as reproduções dela acumulavam centenas de compartilhamentos em posts no Facebook nesta sexta-feira (22).


Uma publicação do site Terra Brasil Notícias engana ao sugerir que, em relatório, o FMI (Fundo Monetário Internacional) destacou o controle da inflação pelo governo Bolsonaro. Na realidade, o World Economic Outlook faz menção positiva à política adotada entre 2002 e 2005, entre o final do mandato de FHC e o início do de Lula, que estabilizou os preços.

Na página 61, o relatório do FMI diz que “a experiência [da época] mostrou a necessidade de maior ação da política monetária para contrariar expectativas não ancoradas e estabelecer credibilidade”. Além desse exemplo, são citadas as medidas econômicas adotadas por Estados Unidos (1965-1983), Chile (2007-2009) e Índia (2010-2014).

O FMI projetou no documento que a inflação nos países desenvolvidos e emergentes continuará crescendo neste ano e permanecerá alta em boa parte de 2022. Em algumas dessas nações, há a combinação de inflação crescente e desemprego alto, aponta o fundo, sem mencionar diretamente o Brasil.

O relatório chama atenção para a projeção de aumento de 7,9% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) até o final de 2021 e afirma que a inflação brasileira pode chegar a 4% até o fim de 2022.

Aos Fatos entrou em contato com o Terra Brasil Notícias, mas não houve retorno até a publicação deste texto.

Essa peça de desinformação também foi desmentida pela Agência Lupa e pela AFP Checamos.

Referências:

1. FMI


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