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É falso que filho do ex-presidente Lula comprou 20% das ações da Sinovac

Por Marco Faustino

27 de janeiro de 2021, 17h37

Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não comprou 20% das ações da farmacêutica chinesa Sinovac, como alegam publicações nas redes sociais (veja aqui). O nome dele nem o de qualquer brasileiro aparece entre os acionistas da empresa que desenvolveu a vacina CoronaVac, que no Brasil é fabricada pelo Instituto Butantan. Além disso, a PF (Polícia Federal), citada pelos posts como fonte, desmentiu a veracidade do boato.

O conteúdo enganoso reunia centenas de compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (27) e foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona). A peça também circula no WhatsApp, onde foi enviada ao Aos Fatos como sugestão de checagem por leitores (inscreva-se aqui).


Uma força tarefa da Polícia Federal descobriu que a empresa farmacêutica Sinovac Biotech Ltda, meses antes de assinar um acordo com o Governo do Estado de São Paulo e o Instituto Butantan, teve 20% das ações compradas por um grupo de investidores aqui do Brasil; grupo de investidores que o maior societário é Fábio Luís Lula da Silva (filho do ex-presidente corrupto Lula). Esses 20% custaram 100 milhões de reais na época da compra. Agora, com a mídia em cima dessa vacina de eficácia duvidosa, esses 100 milhões se transformaram em 1,5 bilhão de reais. A fonte é o próprio site da polícia federal. Quem quiser é só procurar pelo inquérito 20221345 que tem as informações de parte das investigações...

É falso que uma força-tarefa da PF (Polícia Federal) descobriu que o filho mais velho do ex-presidente Lula (PT), Fábio Luís Lula da Silva, comprou 20% das ações da farmacêutica chinesa Sinovac, desenvolvedora da CoronaVac, vacina contra Covid-19 fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan. A PF desmentiu a existência de investigação nesse sentido.

O filho do ex-presidente também não aparece na lista de acionistas da Sinovac Biotech Ltd., onde não constam nomes de brasileiros entre os dez maiores acionistas (confira aqui e aqui). Os três primeiros da lista são: 1Globe Capital LLC (26%), SAIF Advisors Ltd. (15,2%) e Wei Dong Yin (8,94%), atual presidente da Sinovac.

Além disso, as ações da Sinovac — negociadas no mercado desde 2009 — estavam congeladas muitos meses antes da pandemia de Covid-19, e, consequentemente, do acordo com o Instituto Butantan, devido a uma guerra entre acionistas e a direção da companhia. Portanto, não seria possível a compra dos papéis da maneira mencionada na peça de desinformação. Em dezembro de 2020, foi anunciado um acordo para tentar pôr um fim à disputa, mas as negociações de ações continuam suspensas.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Boatos.org e Lupa.

Referências:

1. Nasdaq
2. Market Screener
3. O Globo
4. Estadão
5. Instituto Butantan
6. Valor
7. Boatos.org
8. Lupa


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