É falso que filho de William Bonner recebe auxílio emergencial de R$ 600

Por Luiz Fernando Menezes

22 de maio de 2020, 15h34


Não é verdade que Vinicius Bonemer, filho dos jornalistas William Bonner e Fátima Bernardes, recebe o auxílio emergencial de R$ 600, como consta em publicações nas redes sociais (veja aqui). Há de fato uma solicitação aprovada no nome dele, mas ela teria sido fraudada, segundo afirmou o âncora do Jornal Nacional no Twitter nesta quinta-feira (21) e indicou o Ministério da Cidadania em resposta ao Aos Fatos.

Os dados de Bonemer usados no cadastro circulam na internet desde 2017 quando imagem de sua carteira de habilitação foi veiculada em notícias sobre um acidente de carro em que se envolveu. Desde então, segundo afirmou Bonner, as informações têm sido usadas para fraudar a abertura de empresas e assinaturas de serviços. O Ministério da Cidadania informou que o CPF do filho do jornalista foi posto na lista de inelegíveis e que o caso foi levado à Polícia Federal.

A suspeita de fraude é reforçada ainda por notícias recentes sobre falhas na verificação das exigências para o auxílio por parte da Dataprev, responsável pelo cruzamento de dados no sistema. Um caso similar ao de Bonemer aconteceu com Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. O órgão, porém, alega que fraudes atingem hoje menos de 1% dos auxílios elegíveis.

Diversas publicações passaram a compartilhar os prints da solicitação do auxílio para sugerir que o filho de Bonner teria requisitado o benefício. Por omitirem que se trata de uma fraude, Aos Fatos classificou as publicações como FALSA na ferramenta do Facebook (saiba como funciona). As peças também circulam no WhatsApp, onde foram enviadas ao Aos Fatos como sugestão de checagem por leitores (inscreva-se aqui).


FALSO

Reproduções de tela que mostram um cadastro aprovado para o auxílio emergencial de R$ 600 em nome de Vinícius Bonemer enganam ao serem usadas para afirmar que o filho dos jornalistas William Bonner e Fátima Bernardes recebe hoje o benefício. Apesar de verídica, a solicitação exibida em posts nas redes sociais seria resultado de fraude. De acordo com o âncora do Jornal Nacional, dados de Bonemer que circulam na internet desde 2017 foram usados por estelionatários ao requisitar o auxílio. O Ministério da Cidadania pôs o CPF de Bonemer na lista de inelegíveis e remeteu a denúncia para investigação da Polícia Federal.

Em uma série de tweets postados nesta quinta-feira (21), William Bonner relatou que o filho é alvo de fraudes há três anos, desde que uma foto de sua carteira de habilitação foi veiculada pela imprensa ao noticiar um acidente de trânsito em que ele se envolveu no Rio de Janeiro. Aos Fatos checou desinformação sobre o caso. Os dados já foram usados ilegalmente na abertura de empresa e em assinaturas de serviços de telefonia e TV a cabo, segundo o jornalista.

Bonner afirma que ficou sabendo da fraude na solicitação do auxílio emergencial ao ser procurado pelo jornal Meia Hora, que apurava a veracidade das reproduções do pedido que circulam nas redes sociais. “Meu filho não pediu auxílio nenhum, não autorizou ninguém a fazer isso por ele. Mais uma fraude, obviamente”, escreveu o jornalista no Twitter.

De acordo com o âncora do Jornal Nacional, o fraudador teria ainda indicado, no cadastro, que não tinha conta bancária, opção em que o sistema permite a abertura automática de uma nova. Segundo Bonner, isso impede que se saiba até se o dinheiro foi eventualmente depositado ou sacado. Questionados por Aos Fatos, Ministério da Cidadania, Caixa e Dataprev não informaram se isso aconteceu.

Por fim, William Bonner disse que mesmo que seu filho tivesse feito o cadastro, o pedido deveria ter sido negado em razão da renda familiar ser muito superior à exigida para o auxílio emergencial: “alguém nas condições sócio-econômicas do meu filho não tem direito aos R$ 600 da ajuda”.

A Dataprev, responsável pelo cruzamento de dados no sistema, foi questionado sobre essa inconsistência, mas não se manifestou sobre o caso específico. O órgão informou que o processamento é feito com informações disponíveis em bases e cadastros oficiais e que as inconsistências “representam menos de 1% do universo de 59 milhões de auxílios elegíveis”.

O Ministério da Cidadania não confirmou expressamente que a solicitação teria sido fraudada, mas deu indícios nessa direção ao afirmar que o CPF de Vinicius Bonemer foi incluído entre os inelegíveis para o benefício e que o caso foi informado à Polícia Federal. A Caixa foi procurada por Aos Fatos, mas não respondeu até a publicação desta checagem.

Solicitação. De acordo com o site da Caixa Econômica, o auxílio emergencial não pode ser solicitado por menores de 18 anos, trabalhadores formais ou pessoas com renda familiar per capita maior do que meio salário mínimo (R$ 522,50). O benefício é regulado pelo Decreto nº 10.316/2020.

Para fazer a solicitação do benefício, é preciso informar nome completo, CPF, data de nascimento e nome da mãe. Depois, é necessário declarar os rendimentos mensais, tipo de ocupação, local de residência e quantidade de pessoas da família. Cada familiar deve ser identificado com CPF e data de nascimento.

Por fim, o cidadão deve informar ainda se possui ou não conta na Caixa Econômica e selecionar em qual banco quer receber o auxílio. Caso não possua nenhuma conta bancária, o beneficiário pode solicitar a abertura de uma Poupança Digital na Caixa.

As informações são enviadas então à Dataprev, que cruza os dados recebidos com os registros do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). Um dos problemas, segundo reportagem do jornal O Globo, é que essa base de dados não é totalmente atualizada. Uma das fontes, a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), por exemplo, é defasada em um ano.

Irregularidades. A Dataprev já informou ter barrado pedidos feitos por terceiros em nome do presidente Jair Bolsonaro e do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Porém, há casos em que o dinheiro foi depositado a quem não teria direito, como 73.242 militares. Segundo o Ministério da Defesa, parte deles recebeu automaticamente por ter seu CPF registrado no cadastro único e alguns pertenciam a famílias de baixa renda.

O governo ainda identificou filhos de famílias de classe média, estudantes universitários e mulheres ou dependentes de empresários e servidores públicos que receberam o auxílio, segundo O Globo. As irregularidades foram possíveis porque a checagem dos dados sobre a renda familiar não é tão rigorosa, de acordo com o jornal carioca. O governo federal lançou um site para facilitar a devolução de benefícios pagos indevidamente.

Referências:

1. Estadão
2. Caixa Econômica (Fontes 1 e 2)
3. DOU
4. Dataprev
5. Época
6. Folha de S.Paulo
7. O Globo
8. Ministério da Defesa
9. Ministério da Cidadania


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